Unidade e atritos marcam cúpula do Grupo do Rio

Antonio Soto. Praia do Carmen (México), 23 fev (EFE).- A criação de uma Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos sem a presença de Estados Unidos e Canadá marcou a cúpula do Grupo do Rio, que terminou hoje no México com demonstrações de desavenças internas, apesar da mensagem oficial de unidade.

EFE |

Os líderes reunidos durante dois dias no balneário de Playa del Carmen, no Caribe mexicano, aprovaram dez declarações, entre as quais se destaca a criação do novo organismo "como um espaço regional próprio que una todos os Estados", explicou o presidente mexicano, Felipe Calderón.

A intenção dos participantes é que esta entidade, que deve estar em funcionamento para as cúpulas na Venezuela (2011) ou no Chile (2012), assuma o 'patrimônio' do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC).

Calderón afirmou que, "enquanto o processo de constituição da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos não terminar", o Grupo do Rio e a CALC atuarão de forma unificada com seus respectivos métodos de trabalho, práticas e procedimentos a fim de assegurar o cumprimento de seus mandatos.

Em seus discursos de hoje, o presidente Luiz Inácio Lula Da Silva e seu colega cubano, Raúl Castro, coincidiram em apontar o caráter "histórico" do acordo.

Enquanto Castro afirmou que "não faria sentido" estender o processo, Lula destacou que servirá para conquistar sua "personalidade como região".

Entretanto, o discurso de unidade esteve perto de se romper após mais um confronto verbal entre os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez, que marcou o primeiro dia de cúpula.

O incidente teve início quando Uribe equiparou o congelamento das relações comerciais entre Colômbia e Venezuela com o bloqueio que os Estados Unidos mantém sobre Cuba.

"Seja homem", atacou Uribe, no que Chávez respondeu com um palavrão.

Hoje, o presidente boliviano, Evo Morales, disse que Uribe provocou Chávez com um discurso "surpreendente" que, segundo ele, significa que "os agentes dos EUA vêm tentar atrapalhar" a criação da nova organização.

Também nesta quarta-feira, foi anunciado que o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, presidirá o chamado Grupo de Amigos de Venezuela e Colômbia, criado para atuar como mediador entre os dois países.

Horas após o incidente com Chávez, Uribe se aproximou de outro país vizinho, o Equador, com cujo presidente, Rafael Correa, reiterou a vontade de avançar na normalização das relações diplomáticas quase dois anos depois do bombardeio colombiano sobre um acampamento guerrilheiro em território equatoriano, o que provocou a ruptura de contatos entre os dois Governos.

Entre as outras resoluções aprovadas na cúpula, destacam-se a declaração de solidariedade ao Haiti, a que pede fim ao embargo dos EUA sobre Cuba e a que defende os direitos da Argentina sobre as ilhas Malvinas (Falkland).

O discurso mais crítico desta terça-feira veio do presidente em fim de mandato da Costa Rica, Oscar Arias, o qual lamentou que os países latino-americanos sejam "esclerosados e hipertrofiados", além de criticar o fato de Honduras não ter sido convidado para a cúpula por continua suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA).

De acordo com Arias, "é lamentável" que na cúpula, "a de unidade" da América Latina e do Caribe, "se reúnam países que se armam uns contra os outros". Assim como em ocasiões anteriores, o costarriquenho denunciou a existência de uma "guerra armamentista" no continente.

Durante o encerramento da reunião, o Chile assumiu a secretaria temporária do Grupo do Rio com o objetivo de transformar à Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos em um fórum político fundamental da região, afirmou a presidente chilena, Michele Bachelet.

Bachelet, que se despediu de seus colegas da região, já que passará o poder a Sebastian Piñera em março, se comprometeu a trabalhar intensamente para erguer "uma voz unida na região" e para que o novo organismo seja "inclusivo e representativo". EFE asc/bba

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