Unidade dos democratas é colocada à prova na convenção de Denver

Os apelos à unidade que dominaram todos os discursos da convenção democrata de Denver (Colorado, oeste) nos últimos dias, devem ser postos à prova nesta quarta-feira por ocasião da indicação formal do candidato do partido à Casa Branca.

AFP |

O fim das primárias não deixou dúvida alguma e Barack Obama será o candidato que enfrentará o republicano John McCain na eleição presidencial de 4 de novembro. Mas se vários votos de partidários de Hillary Clinton forem contra a sua nomeação, isso será imediatamente explorado pelo campo republicano.

Tradicionalmente, os candidatos são designados por aclamação. Desta vez o panorama é um pouco diferente. Hillary, com 18 milhões de votos obtidos durante as primárias, conseguiu fazer com que seus partidários fossem ouvidos durante a convenção.

Segundo uma contagem do site independente especializado RealClearPolitics, Hillary pode contar teoricamente com cerca de 2.000 delegados. É insuficiente para impedir a indicação, porém mais do que suficiente para fazer a convenção fracassar.

Na terça-feira à noite, a senadora por Nova York deu a entender claramente que não havia mais divisão.

"Barack Obama é o meu candidato e deve ser nosso presidente", disse Hillary, muito aplaudida por uma multidão que lotou o Pepsi Center de Denver, onde está sendo realizada a convenção democrata. Segundo um cenário provável, Hillary deverá pedir novamente que seus delegados apóiem Obama. Os delegados deverão então aclamar o nome de Obama, que se tornará oficialmente o candidato democrata à Casa Branca.

O senador por Illinois, que acompanha atentamente a convenção de Denver durante sua viagem de campanha, é aguardado na capital do Colorado nesta quinta-feira. Obama aceitará oficialmente essa candidatura em um discurso que pronunciará amanhã, quinta-feira, em um estádio com capacidade para 75.000 pessoas próximo ao imenso centro de convenções que abriga a convenção.

A prisão no domingo de três homens, sendo um armado e outro conhecido por suas idéias neonazistas, não atrapalhou a programação do candidato. As autoridades consideram que esses três homens não representavam uma ameaça real. Sem estar em estado de sítio, a cidade de Denver e principalmente as imediações da convenção estão submetidos a um rígido controle pelas forças policiais.

Esta quarta-feira deverá ser também a oportunidade para Joe Biden, companheiro de chapa de Obama para o posto de vice-presidente, apresentar sua grande capacidade oratória. O senador pelo Delaware (leste), presente à convenção, que se mantém mudo desde segunda-feira, deve pronunciar seu grande discurso à noite.

Com 65 anos, figura iminente do cenário político norte-americano, Biden está habituado a grandes eventos. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele é membro da Casa desde 1972. Na época, Obama tinha apenas 11 anos.

Se ninguém contestar, inclusive no campo republicano, a experiência e a competência do senador por Delaware e, por outro lado, sua tendência a cometer gafes tornarão Biden uma figura potencialmente imprevisível.

A convenção também terá como destaque o discurso do ex-presidente Bill Clinton.

Durante a campanha das primárias, a relação entre o ex-presidente e aquele que pode vir a sê-lo foi particularmente conturbada. No início da semana, um jornal norte-americano indicou que as equipes de Bill Clinton e de Obama se mantinham afastadas. Ambas desmentiram.

aje/dm/sd

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