Washington, 22 ago (EFE).- O ex-tenente americano William Calley, único condenado pelo massacre de 1968 na aldeia de My Lai, no Vietnã, pediu desculpas e expressou seu remorso pelo incidente, um dos mais marcantes entre as atrocidades da guerra.

"Não há dia que passe que não sinta remorso pelo que ocorreu naquele dia em My Lai", disse Calley na quarta-feira passada em discurso perante poucas pessoas no estado da Geórgia, segundo informou o jornalista aposentado Dick McMichael em seu blog.

Segundo o jornalista, o ex-apresentador da TV local Al Fleming conseguiu persuadir Calley, que se recusou todos esses anos a se pronunciar, a falar em um clube da cidade de Columbus, perto da base militar de Fort Benning, onde foi julgado.

Embora o ex-militar tenha reiterado que seguiu ordens, como manteve durante todo o processo judicial pelo que foi condenado à prisão perpétua pela morte de 102 civis, admitiu que tinha violado a lei ao seguir determinações ilegais.

"Se me perguntar por que não me neguei a isso quando recebi a ordem, tenho que dizer que era um tenente que recebia ordens do meu comandante e as cumpri, estupidamente", contestou ao ser perguntado a respeito, embora tenha esclarecido que isso não era uma desculpa, mas simplesmente o relato dos fatos.

No massacre, revelado um ano após ocorrer pelo jornalista Seymour Hersh, entre 300 e 500 pessoas da remota aldeia de My Lai foram massacradas, embora Calley só tenha ficado em prisão domiciliar três anos e recebido indulto do então presidente, Richard Nixon.

Todo o processo judicial sobre o massacre foi infestado de incidências e vários críticos acusavam o Exército americano de encobrir os fatos.

Como assinala McMichael, ainda hoje vários americanos consideram que Calley não passou de um bode expiatório.

Durante mais de 40 anos, o ex-tenente manteve silêncio e trabalhou na joalheria da família de sua mulher, sem se esconder, embora sempre tenha driblado o intenso assédio da imprensa.

O massacre de My Lai é considerado um dos fatos responsáveis por mudar a opinião pública americana sobre o conflito no Vietnã, passando a rejeitá-lo. EFE alfrr

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