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Unicef: violência armada alcança níveis epidêmicos na América Latina

Panamá - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse nesta segunda-feira que os níveis de violência armada na América Latina e no Caribe alcançam proporções epidêmicas.

EFE |

Nils Kastberg, diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe, disse que esta região ganhou a "reputação desagradável" de ter as maiores taxas de violência do mundo, com 42% do número total de homicídios em nível global.

Acrescentou que esta situação se viu alimentada "pela fácil disponibilidade de armas leves e uma brecha crescente entre os segmentos mais ricos e mais pobres da sociedade".

"Infelizmente, as crianças e adolescentes são alvo da violência, e o Caribe está em primeiro lugar, em nível mundial, quanto a taxas de assassinato, e tem os maiores níveis de homicídio entre adolescentes de 15 a 17 anos de idade", disse Kastberg.

Ele acrescenta que os adolescentes do sexo masculino têm uma probabilidade seis vezes maior de serem vítimas de homicídio do que as meninas.

Em alguns países, até 12% das vítimas de homicídios têm menos de 18 anos, enquanto o número de adolescentes responsáveis por homicídios é de cerca de 1%.

Kastberg indicou que a violência é a principal causa de mortes entre os homens com idades entre 15 e 24 anos no Caribe, assim como em alguns países da América Latina.

Seis milhões de crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe sofrem a cada ano abusos severos, incluindo o abandono, e cerca de 220 crianças e adolescentes menores de 18 anos morrem diariamente por causa da violência doméstica, totalizando mais de 80 mil casos por ano.

Na Jamaica, durante os últimos cinco anos, mais de 300 meninos e meninas foram assassinados, e nos últimos três anos as armas de fogo foram responsáveis por quase metade dos assassinatos de crianças.

Na Guatemala, 418 crianças foram assassinadas em 2005, e 322 dessas mortes foram causadas por armas de fogo, enquanto no Haiti o seqüestro de crianças aumentou "exponencialmente" nos últimos meses.

"Apesar de a erradicação do comércio ilegal de armas leves ser um componente crucial da luta contra a violência armada, é importante não olhar a violência relacionada com armas de fogo de forma isolada, já que há vínculos estreitos entre a violência armada contra as crianças e outras formas de violência", assinalou.

"Presenciar violência no lar ou ser vítima de abuso físico ou sexual pode condicionar crianças e adolescentes a serem vítimas ou perpetradores de violência armada, e é essencial compreender estes fatores para formular políticas e programas efetivos para prevenir a violência", ressaltou.

Ele pediu medidas drásticas para eliminar o fluxo de armas pequenas e leves, e aumentar o investimento social em zonas vulneráveis.

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