Unicef faz raio X da mortalidade infantil no mundo

Mais de dois terços das mortes em crianças com menos de cinco anos são causadas por doenças infecciosas

Agência Fapesp |

Em todo o mundo, 8,8 milhões crianças com menos de cinco anos morrem anualmente. Mais de dois terços dessas mortes têm como causa doenças infecciosas como pneumonia, diarreia, malária e septicemia.

Essa é uma das principais conclusões de um relatório global financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pela Organização Mundial, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Fundação Bill & Melinda Gates. Os resultados da análise foram descritos, nesta quarta-feira (12/5) em um artigo na edição online da revista Lancet, que em breve será publicado na versão impressa.

O estudo – coordenado por Robert Black, do Departamento de Saúde Internacional da Escola de Saúde Pública Bloomberg, da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) em nome do Grupo de Referência em Epidemiologia e Saúde da Criança (Cherg), da OMS e da Unicef – mostrou ainda que as complicações no parto prematuro, asfixia durante o parto e anomalias congênitas também são causas importantes de morte.

Os países de alta renda representam apenas uma pequena parte – cerca de 1% – do total de mortes, segundo o relatório. Quase metade do total das mortes de crianças com menos de cinco anos se concentram em apenas cinco países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão e China.

Tomando como referência o ano de 2008, o estudo mostra que, das cerca de 8,8 milhões de mortes de crianças menores de cinco anos, 68% são causadas por doenças infecciosas (5,97 milhões), sendo 18% em decorrência de pneumonia (1,58 milhão), 15% de diarreia (1,34 milhão) e 8% de malária (730 mil).

Cerca de 41% do total de mortes (3,58milhões) ocorreram entre recém-nascidos, com idade de zero a 27 dias. As causas isoladas mais importantes, nesse grupo, foram complicações pré-parto (12%, ou 1,03 milhão de todas as mortes de crianças até cinco anos), asfixia no nascimento (9%, ou 810 mil), septicemia (6%, ou 520 mil) e pneumonia (4%, ou 390 mil).

A distribuição das mortes por causa variaram muito, segundo o relatório. O maior número de mortes ocorreu na África (4,2 milhões) e no sudeste da Ásia (2,39 milhões). A África, no entanto, teve um proporção menor de mortes entre recém-nascidos: 1,22 milhão, contra 1,3 milhão no sudeste asiático. A África, por outro lado, teve uma proporção mais alta de mortes decorrentes de malária (680 mil) e Aids (180 mil). No sudeste asiático, as duas doenças somaram 20 mil mortes.

Em algumas regiões – em especial aquelas onde a renda aumentou e a mortalidade diminuiu, como as Américas, Europa e países desenvolvidos da Ásia –, uma alta proporção de mortes infantis ocorreu durante o período neonatal. Nas Américas, essa proporção foi de 48%: 137 mil das 284 mil mortes.

Apesar de um contínuo aumento da população de crianças menores de cinco anos, a taxa de mortalidade está em declínio, de acordo com a pesquisa: ocorreram 8,8 milhões de mortes em 2008, contra 10,6 milhões em 2000.

Com uma queda maior da mortalidade entre crianças com mais de um mês de idade, a proporção das mortes entre recém-nascidos aumentou de 37% em 2000, para 41% (3,58 milhões) em 2008. De acordo com o relatório, isso indica que as principais causas de morte no período neonatal – complicações no parto prematuro, asfixia durante o parto, sepse neonatal e pneumonia – tornaram-se ainda mais importantes.

O artigo Global, regional, and national causes of child mortality in 2008: a systematic analysis, de Robert Black e outros, pode ser lido na Lancet .

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