Unicef denuncia recrutamento de crianças por rebeldes na RDC

Genebra, 4 nov (EFE).- O Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef) denunciou hoje que há inúmeros casos de recrutamento de crianças pelos rebeldes em Kivu Norte, no leste da República Democrática do Congo, onde 60% das 100.

EFE |

000 pessoas que abandonaram suas casas na semana passada eram menores de idade.

Em meio ao caos humano criado pelos últimos combates entre as forças governamentais e rebeldes tutsis, a Cruz Vermelha denunciou casos de estupros de mulheres e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) disse que se "procura" 50.000 deslocados que desapareceram de campos próximos à localidade de Rutshuru.

"Pelo menos 37 crianças foram recrutadas na última semana pelos rebeldes Mai-Mai, que alegam que necessitam deles para defenderem suas comunidades", declarou a porta-voz do Unicef Veronique Taveau.

"O Unicef está muito preocupado e exige o fim imediato do recrutamento de crianças", declarou Taveau, que disse que esta informação é de última hora e não tem detalhes sobre as idades dos menores, embora tenha afirmado acreditar que "também há algumas meninas".

Taveau qualificou a situação humanitária nas proximidades de Goma de "alarmante", e disse que 60% das 100.000 pessoas que abandonaram suas casas na última semana são menores.

"Centenas de crianças foram separadas de suas famílias", acrescentou a porta-voz, que afirmou que "a situação das mulheres e crianças recém deslocadas é desesperadora, pois quase não têm o que comer e seu acesso à água limpa é mínimo".

Segundo a agência humanitária da ONU, nos últimos meses cerca de 250.000 pessoas foram obrigadas a deixarem seus lares para fugirem dos combates.

Atualmente, segundo a ONU, um milhão de pessoas são deslocadas internas na RDC, 20% da população da região de Kivu Norte.

O Unicef disse que as crianças deslocadas correm perigo de pegarem cólera e sarampo, e também aumentou o risco de malária por estarem em locais não cobertos e expostos a mosquitos.

Por outro lado, Ron Redmond, porta-voz do Acnur, disse que "como se temia", três campos de deslocados administrados pela agência próxima da cidade Rutshuru "foram destruídos e esvaziados".

"Estamos tentando determinar o paradeiro dos 50.000 deslocados internos que estavam nestes campos".

Ontem foi o primeiro dia no qual os membros de uma missão de várias agências da ONU puderam chegar a Rutshuru desde os combates da última semana. EFE vh/fal

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