Unicef corta laços com bilionário de Israel criticado por árabes

Por Daniel Trotta NOVA YORK (Reuters) - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) cortou seus laços com um bilionário israelense devido ao suposto envolvimento dele com a construção de assentamentos na Cisjordânia ocupada, afirmou o órgão na sexta-feira.

Reuters |

Lev Leviev, um magnata dos setores imobiliário e de diamantes que chegou a ser o homem mais rico de Israel, deu apoio ao Unicef por meio de contribuições diretas e por meio do patrocínio de ao menos um evento de arrecadação de fundos para a entidade.

O empresário comanda a Africa Israel Investments, um conglomerado que inclui a subsidiária Danya Cebus, acusada pelo grupo árabe Adalah, de defesa dos direitos humanos, de envolvimento na construção de assentamentos na Cisjordânia, obras essas consideradas ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Unicef decidiu rever seus laços com Leviev depois de uma campanha realizada pelo Adalah e descobriu 'motivos ao menos razoáveis para suspeitar' da possibilidade de empresas de Leviev estarem construindo assentamentos em território ocupado, disse uma autoridade do fundo.

'Posso confirmar que o Unicef informou ao Adalah, em Nova York, que não mais selará parcerias com ou aceitará contribuições financeiras de Lev Leviev ou de pessoas de seu conglomerado', afirmou à Reuters Chris de Bono, assessor sênior do diretor-executivo da entidade.

'Estamos cientes da polêmica em torno do senhor Leviev, polêmica essa ligada a seu suposto envolvimento com obras de construção civil em território palestino ocupado', afirmou de Bono, acrescentando que era parte da política do Unicef ter entre seus parceiros pessoas e empresas 'o menos controvertidas possível.'

O fundo da ONU não conseguiu informar quanto dinheiro Leviev havia entregado pessoalmente à entidade. Em sua única parceria conhecida com o Unicef, o empresário, no ano passado, doou jóias para um evento de moda realizado na França a fim de angariar fundos para o comitê nacional francês do Unicef, disse de Bono.

Representantes das empresas de pedras preciosas e de imóveis de Leviev não foram encontrados para se manifestarem sobre o caso ainda na sexta-feira, em parte por causa do sabá judaico em Israel, que se inicia depois do anoitecer desse dia.

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