Unicef: 830.000 crianças morrem a cada ano por acidentes

Oitocentos e trinta mil crianças no mundo morrem a cada ano por acidentes, segundo um relatório publicado pela ONU.

AFP |

As principais causas das mortes que acometem a faixa etária 0-19 anos são os acidentes rodoviários (260.000 mortes por ano), os afogamentos (175.000), as queimaduras (96.000), as quedas (mais de 46.000 mortes) e as intoxicações (mais de 45.000), segundo documento redigido conjuntamente pela Organiza Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Dedicado à prevenção dos traumatismos entre as crianças, este primeiro balanço mundial sobre a questão, que mobilizou 200 especialistas durante três anos, é destinado a "acionar o alarme sobre uma realidade há muito tempo ignorada".

A partir dos 9 anos de idade, os acidentes se tornam a primeira causa acumulada da mortalidade, à frente das doenças infecciosas, a desnutrição ou as guerras.

"O fator social é determinante", indicou Margie Peden da OMS. "Seja em países ricos ou em desenvolvimento, são as crianças dos meios desfavorecidos que correm mais risco de serem vítima de acidentes", acrescentou à imprensa.

Assim, 95% das vítimas são de países pobres ou em desenvolvimento.

A África registra o mais alto índice de vítimas de acidentes rodoviários (quase 2%). A região do Pacífico ocidental e o sudeste da Ásia têm a taxa mais alta de afogamentos (2,74% e 1,23%). E as queimaduras são mais freqüentes no sudeste da Ásia e no Oriente Médio.

Diferente das outras causas de acidente, as queimaduras atingem em maioria as meninas.

"Durante muito tempo, a mortalidade infantil devido aos acidentes foi considerada uma fatalidade, uma espécie de preço a pagar pelo desenvolvimento", lamentou Etienne Krug, do departamento de Prevenção da violência e do traumatismo e deficientes físicos da OMS.

"Esta questão de saúde pública é relativamente nova porque os temas das doenças infecciosas e da subnutrição predominaram durante muito tempo. Por isso os políticos ficam muito surpresos quando descobrem a dimensão do fenômeno", disse Krug.

Soluções já adotadas em certos países como a Suécia, a Austrália, o Canadá ou na África já deram resultados, indicou o relatório.

"As soluções devem ser encontradas por todas as partes envolvidas", destacou Pascal Villeneuve, diretor delegado da Unicef: "Os ministérios da saúde, mas também os outros ministérios assim como a sociedade em seu conjunto. Sem esquecer as próprias crianças, que podem ser um importante fator de mudança". Esta é a razão pela qual a Unicef redigiu uma versão do relatório destinada especialmente a elas.

sga/dro/lm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG