União pelo Mediterrâneo desperta esperanças árabes sobre imigração e paz

Naji al-Qanni Cairo, 12 jul (EFE).- Os Estados árabes pretendem fazer com que a Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM), que será realizada em Paris amanhã, marque o início de uma nova era em suas relações com a Europa em temas como imigração e o conflito com Israel.

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Os árabes rejeitam a eventual idéia de que a UPM, impulsionada pela França, seja uma forma de integrar Israel no Oriente Médio antes da obtenção de uma solução definitiva no conflito entre israelenses e palestinos.

"Todos os Estados deverão mostrar uma cooperação séria e sincera para transformar a região mediterrânea em um recanto de paz e prosperidade, eliminando os conflitos e as tensões em benefício de todos", declarou esta semana em um editorial o jornal sírio "Tishrin", considerado porta-voz do regime do presidente Bashar al-Assad.

Dez países árabes "mediterrâneos" - dois deles, Mauritânia e Jordânia, sequer são banhados pelo mar que dá nome à cúpula - foram convidados para o encontro da UPM, embora a Líbia descarte sua participação por considerar que a reunião é contrária aos interesses árabes.

O líder líbio, Muammar Kadafi, recebeu em junho último em Trípoli os líderes dos países árabes convidados para a Cúpula da UPM e os encorajou a fazer parte de seu boicote. A proposta, no entanto, não seguiu adiante.

Um dos assuntos que despertou mais controvérsia entre os Estados árabes convidados é a inclusão de Israel na UPM.

O ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, cujo país é um dos maiores defensores da UPM, negou taxativamente que o bloco seja uma entidade criada com o objetivo de normalizar as relações com o Estado judeu.

"A União pelo Mediterrâneo não envolve a criação de nenhum tipo de união econômica ou política (com Israel). Essa união seria resultado de um longo processo de integração, e que necessita de muitos, muitos anos", declarou Aboul Gheit à imprensa egípcia.

"Como é possível que um Estado árabe vá aceitar uma união com Israel quando todos sabemos que este país ainda está ocupando territórios árabes?", completou o diplomata.

Após 13 anos de seu lançamento, o Processo de Barcelona - marco inicial da UPM - registrou poucos avanços, segundo os árabes, na economia, no comércio e na política, especialmente com relação ao estagnado processo de paz no Oriente Médio.

Os chefes de Estado que participarão da cúpula em Paris esperam fomentar uma busca mais ativa pela paz na região, depois dos fracassos acumulados pelos Estados Unidos em oito anos de mandato de George W. Bush.

"Tornou-se indispensável um envolvimento mais direto dos europeus devido à ausência de um mediador justo. A mediação européia parece mais aceitável para os árabes que a dos EUA, que adotaram abertamente o ponto de vista de Israel", disse à Agência Efe um diplomata argelino que pediu para não ser identificado.

Segundo a mesma fonte, os países árabes esperam que o novo fórum seja também um trampolim que leve ao fim da tragédia que envolve centenas de imigrantes que morrem quando tentam alcançar o litoral europeu em embarcações precárias.

Os países árabes, segundo prevêem os analistas, pressionarão os europeus para que relaxem seus mecanismos de entrada no caso de imigrantes legais qualificados, embora devam ter pela frente uma dura oposição por parte da União Européia (UE).

Além disso, os árabes esperam conseguir novas oportunidades para a aquisição de tecnologia, elemento fundamental para seu desenvolvimento econômico.

A presença da Síria, que se sentará à mesma mesa que Israel pela primeira vez em muito tempo, encoraja os árabes e permite que reine uma pequena onda de moderado otimismo diante da cúpula da UPM. EFE nq-er/fr

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