A União Europeia afirmou neste domingo que vai criar um grupo para avaliar o impacto econômico da nuvem de cinzas vulcânicas da Islândia. A nuvem de cinzas vulcânicas criou uma situação sem precedentes, afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, em comunicado.

"Eu pedi ao (Comissário de Transportes da UE, Siim) Kallas para coordenar a resposta da comissão e avaliar plenamente o impacto da situação criada pela nuvem sobre a economia, e sobre a indústria aérea em particular. É importante que todas as medidas consideradas sejam coordenadas no nível europeu."

Barroso disse que Kallas receberá apoio do Comissário de Competição e Ajuda Estatal, Joaquin Almunia, e do Comissário de Assuntos Monetários, Olli Rehn.

Uma porta-voz para a presidência espanhola da UE disse que a Espanha vai presidir uma reunião por videoconferência na segunda-feira de ministros de Transportes europeus para discutir a crise e possíveis medidas de resposta.

Prejuízos milionários

Somados às dificuldades enfrentadas por milhares de pessoas estão prejuízos milionários provocados pela nuvem vulcânica. Além dos voos europeus, a grande maioria dos voos transatlânticos - apenas 55 de 337 viagens previstas foram realizadas - também está sendo cancelada, bem como os voos da China para a Europa.

Em cidades como Bangcoc e Cingapura, cujos aeroportos são muito usados como escalas para voos da Ásia para a Europa, as informações são de que a ocupação dos hoteis está próxima de sua capacidade máxima.

A estimativa é que o caos aéreo esteja provocado prejuízos de cerca de US$ 200 milhões (cerca de R$ 350 milhões) por dia às companhias aéreas. Para os passageiros ilhados, a conta pode incluir despesas imprevistas com diárias de hotel, extensão de seguros de viagem, médicos e com alimentação, entre outros.

Voos cancelados

O caos no transporte aéreo na Europa continua sem prazo para acabar. Milhares de passageiros permanecem aguardando voos que vêm sendo cancelados há quatro dias, desde o início da erupção do vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, que lançou uma nuvem de partículas vulcânicas na atmosfera.

Cerca de 20 mil voos foram ou serão cancelados hoje na Europa, informou a Eurocontrol, a agência responsável pela segurança nos céus do continente. A agência indicou que, dos aproximadamente 24 mil voos previstos só poderão decolar quatro mil.

AP
Aeroporto italiano
Aeroporto em Milão, na Itália, foi invadido por nuvens

A maioria dos aeroportos internacionais europeus continua inoperante e 18 países - entre eles Grã-Bretanha, Alemanha, Suécia, Holanda e Bélgica - permanecem com o espaço aéreo totalmente fechado e 9 operam com restrições, enquanto a nuvem vulcânica não se dissipa.

A Eurocontrol confirmou que estão total ou parcialmente fechados os espaços aéreos europeus: Áustria, Bélgica, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, grande parte da França e Alemanha, Hungria, Irlanda, norte da Itália, Holanda, Noruega, Polônia, Romênia, Sérvia, Eslovênia, norte da Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido.

No sábado, cerca de 17 mil voos, três quartos dos voos previstos, foram cancelados. A proibição de voos na Grã-Bretanha foi estendida até as 19h deste domingo (15h, no horário de Brasília). Os aeroportos do norte da França e da Itália devem permanecer fechados até segunda-feira.

Na Alemanha e na Holanda, as companhias aéreas Lufthansa e KLM realizaram voos de teste e estudam as aeronaves para detectar qualquer problema que possa ter sido provocado pelas partículas vulcânicas.

Segundo o glaciologista britânico Matthew Roberts, que trabalha no serviço de meteorologia da Islândia, o vulcão islandês já está produzindo menos cinzas.

AP

Vulcao

Vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, entrou em erupção


"Entretanto, ainda há cinzas vulcânicas na atmosfera e um efeito retardado entre a emissão do material pelo vulcão e as cinzas flutuando para o espaço aéreo europeu", afirmou.

Além disso, meteorologistas afirmam que as condições meteorológicas continuam não colaborando para dissipar a nuvem de cinzas vulcânicas.

De acordo com Brian Golding, chefe de pesquisa de previsão da Agência Meteorológica Britânica (Met Office), ela deve permanecer sobre o país "durante vários dias".

"Precisamos de uma mudança na direção dos ventos que permaneça assim durante vários dias. E não há qualquer sinal disso no futuro imediato", disse Golding.

Alternativas de transporte

Na Europa, passageiros estão buscando alternativas como trens, ônibus e barcas.

O serviço Eurostar, que liga a Grã-Bretanha ao continente europeu está lotado até segunda-feira.

"Em termos de fechamento de espaços aéreos, isso é pior que 11 de setembro. A interrupção é pior do que qualquer coisa que já vimos", disse um porta-voz do órgão que regulamenta a aviação na Grã-Bretanha, a Civil Aviation Authority.

Entre as milhares de pessoas afetadas pela nuvem de cinzas vulcânicas estão a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que foi obrigada a pousar em Portugal na sua volta dos Estados Unidos, e a cantora americana Whitney Houston, que foi forçada a viajar de carro da Grã-Bretanha para a Irlanda para fazer um show.

A segunda erupção do vulcão da geleira de Eyjafjallajoekull em um mês começou na quarta-feira, lançando uma nuvem de fumaça a uma altura de 11 quilômetros na atmosfera. Uma fissura de 500 metros apareceu no topo da cratera.

O calor do vulcão derreteu parte do gelo em volta, provocando enchentes na região na quarta-feira.

Nos primeiros momentos, cerca de 800 pessoas tiveram de abandonar as suas casas. O vulcão, no entanto, continuou emitindo nuvens de poeira em direção à Europa.

Especialistas não sabem quanto tempo esta erupção deve durar. A última erupção vulcânica debaixo da geleira, antes deste ano, começou em 1821 e continuou por dois anos.


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Com Reuters, BBC e EFE

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