União Européia não adotará sanções contra a Rússia

Paris, 29 ago (EFE).- A França, que detém atualmente a Presidência rotativa da União Européia (UE), descarta a imposição de sanções à Rússia na cúpula de segunda-feira, na qual quer uma mensagem firme ao país para que cumpra totalmente o acordo de cessar-fogo com a Geórgia.

EFE |

A três dias da cúpula extraordinária dos líderes da UE, cuja convocação pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi anunciada no domingo, as autoridades francesas quiseram deixar clara sua postura.

"Não chegou a hora de sanções", afirmou hoje uma fonte do Palácio do Eliseu, assinalando que não está nessa fase, mas na de aplicação do acordo do dia 12, mediado por Sarkozy e assinado por Rússia e Geórgia.

Ontem, o ministro francês de Exteriores, Bernard Kouchner, tinha dito que estão sendo contempladas sanções "e muitos outros meios", embora depois tivesse especificado que a França não propunha sanções.

"Alguns países (europeus) proporão sanções, mas outros as rejeitarão", declarou, antes de defender que o mais importante para a UE é mostrar sua "unidade" perante a Rússia.

A UE já condenou o reconhecimento por Moscou da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul.

A Presidência francesa do bloco deseja que na segunda-feira se sublinhe o caráter "inaceitável" dessa ação, em linha com a afirmação de Sarkozy há dois dias ao denunciar a pretensão da Rússia de mudar "unilateralmente" as fronteiras da Geórgia.

A Geórgia anunciou hoje a ruptura das relações diplomáticas com a Rússia e seu embaixador em Paris, Mamuka Kudava, pediu aos europeus para examinarem "seriamente" a possibilidade de sanções contra Moscou.

"É a hora da verdade para a Europa", disse o diplomata em entrevista coletiva.

A possibilidade de sanções foi evocada pelos países partidários da linha mais firme contra a Rússia, como a Polônia e outros antigos membros do bloco soviético agora membros da UE.

Uma posição que não é compartilhada pelos países como França e Alemanha, cujo ministro de Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, rejeitou a idéia de sanções, pois "nesta complicada situação política é necessário manter um resquício de bom senso".

A chanceler alemã, Angela Merkel, revelou que o resultado da cúpula dependerá "exclusivamente" do que a Rússia fizer nos próximos dias.

Em Paris, se afirma que "ninguém contempla hoje uma ruptura com a Rússia" e que a questão de eventuais sanções deveria ser tratada na cúpula UE-Rússia prevista para 14 de novembro em Nice (sudeste da França).

O Conselho da UE dirá nesta segunda-feira que o acordo de seis pontos deve ser aplicado totalmente e que, enquanto isso, as relações com a Rússia permanecerão "sob observação", disseram as fontes.

De Moscou, onde já são percebidas as divisões na UE, o porta-voz do Ministério de Exteriores expressou a esperança de que "a razão prevaleça sobre as emoções" no seio da União, e assegurou que a Rússia continuará sendo um fornecedor "seguro" de recursos energéticos ao Ocidente.

Mas a afirmação de Moscou, que completou "os seis pontos" do acordo de cessar-fogo é impugnada nas capitais européias.

Assim, Paris exige que "em seguida" as tropas russas retirem os quatro postos de controle que mantêm entre as cidades georgianas de Poti e Senaki.

Outro assunto que terá que ser resolvido o mais rápido possível, segundo o Palácio do Eliseu, é o envio de observadores internacionais, sob a égide da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (Osce), para substituir as patrulhas russas desdobradas ao sul da Ossétia do Sul.

A França também pede a abertura das conversas internacionais, previstas no ponto seis do acordo, sobre "as modalidades de segurança e estabilidade" na Abkházia e Ossétia do Sul. EFE ao/bm/ma

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