União Europeia e União Africana punem Mali após golpe de Estado

Chefe de grupo militar que depôs presidente Amadu Tomani Touré promete entregar o poder dentro de nove meses

iG São Paulo |

A União Europeia e a União Africana decidiram punir Mali depois do golpe de Estado dado por militares opositores ao presidente Amadu Tomani Touré.

Nesta sexta-feira, a União Africana suspendeu Mali como um de seus países-membros. A decisão foi adotada pelo Conselho de Paz e Segurança, órgão supremo da UA, após uma reunião convocada para debater a crise em Adis-Abeba, sede da organização.

Revolta: Soldados saqueiam palácio presidencial em Mali

Ao término do encontro, o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, disse que caso o Exército se consolide no poder, a organização pan-africana adotará medidas como o congelamento de bens e a proibição de viagens dos autores do levante. Ping acrescentou que a UA recebeu diversos relatórios sobre a situação do deposto presidente, que estaria em uma embaixada em Bamaco, ainda sob a proteção de seus aliados.

AP
Capitão Amadou Haya Sanogo (3º da dir. para a esq.) dá ordens a militares sob seu comando (22/3)
Já a União Europeia decidiu suspender temporariamente a ajuda dada ao país para desenvolvimento. "Após o golpe de Estado de quarta-feira em Mali, decidi suspender temporariamente as operações de desenvolvimento da Comissão Europeia até a situação ser esclarecida", indicou em comunicado o comissário de Desenvolvimento europeu, Andris Piebalgs. "Essa decisão não afeta a ajuda humanitária", explicou o comissário.

A Comissão Europeia previu entregar 583 milhões de euros em ajuda entre 2008 e 2013 com a intenção de reforçar o desenvolvimento econômico sustentável e financiar programas de alimentação, melhorar o acesso à água potável, apoiar a população civil e a política migratória.

Piebalgs destacou que o desenvolvimento sustentável que o Mali alcançou nos últimos anos só pode ser mantido em um contexto democrático estável. Antes do anúncio do comissário, os ministros europeus condenaram o golpe militar e pediram a libertação imediata das autoridades, assim como proteção a civis, restauração de um governo civil e constitucional e a realização de eleições democráticas no dia 29 deste mês, conforme previsto.

O Conselho lembrou que 15 milhões de pessoas na região são afetadas pela profunda crise alimentar e nutricional. Somam-se a isso as consequências humanitárias do conflito que está ocorrendo no norte do Mali, o que elevou os deslocados internos e os refugiados.

Os Estados Unidos ainda estudam se suspenderão algum tipo de ajuda ao país. De acordo com a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland, mais da metade dos US$ 137 milhões anuais diz respeito à ajuda humanitária ao país e não sofrerá mudança após o golpe. O restante, segundo Nuland, refere-se à ajuda militar e poderá ser afetado caso a democracia não seja restaurada.

Motim

O capitão Amadu Haya Sanogo, chefe do grupo militar que depôs Touré, afirmou nesta sexta-feira que não pensa em se eternizar no poder e devolverá o poder em no máximo nove meses, ao término de sua missão de "salvar a nação".

Durante a entrevista, o capitão Sanogo sustentou que a ruptura constitucional era "necessária" e que sua vontade é entregar o poder a um governo formado "após as consultas com todas as forças vivas do país". "Não vamos nos eternizar no poder. Estamos aqui para fazer uma mudança após dez anos de afundamento de país", acrescentou.

Golpe: Militares tomam o poder e suspendem Constituição em Mali

O golpe de Estado começou na quarta-feira com um motim em um quartel a 15 quilômetros da capital, a princípio pela rejeição dos recrutas em serem mobilizados para participar dos confrontos entre o Exército e forças separatistas tuaregues no norte de Mali.

Os amotinados foram à capital, onde tomaram a sede da rádio e da rede de televisão estatal e detiveram vários ministros, além de invadir e saquear o palácio presidencial .

Na quinta-feira, militares que participaram do golpe contra Touré anunciaram o fechamento do espaço aéreo e das fronteiras terrestres do país.

Sanogo sustentou que não havia muitas possibilidades de diálogo com os dirigentes do país e que, por esta razão, "os altos comandantes do Exército optaram pela via das armas". "Assumimos a missão de reformar o Estado porque tudo estava caminhando muito mal. Não há segurança, o sistema de educação é deficiente e as condições de vida são extremamente difíceis", ressaltou.

AP
Soldado coloca eletrodoméstico em caminho do lado de fora do complexo de ministérios em Bamaco, Mali (22/3)
O golpe de Estado começou com motim no quartel de Kati, a 15 quilômetros da capital, mesmo local onde em fevereiro ocorreram distúrbios nas imediações.

Os soldados se negam a participar dos confrontos entre o Exército e as forças independentistas tuaregue no norte de Mali, que pegaram em armas em 17 de janeiro para reivindicar separação do país.

A insurgência étnica tuareg no note do país ganhou força quando partidários do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi , morto em outubro , voltaram a Mali fortemente armados. De acordo com o Exército, que apelou por armamentos mais potentes para o combate, o governo civil não fez o suficiente para conter a insurgência, que quer a separação do país.

Nesta sexta-feira, rebeldes tuaregues avançaram em três cidades no norte de Mali, incluindo Gao e a histórica Timbuktu. Segundo rebeldes, forças conseguiram avançar em Kidal diante do vácuo deixado por soldados.

*Com EFE

    Leia tudo sobre: malisoldadosgolpe de estadomilitaresconstituiçãotoure

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG