União Européia apóia plano para monitorar trégua na Geórgia

Por Ingrid Melander e David Brunnstrom BRUXELAS (Reuters) - Os chanceleres da União Européia aceitaram em princípio na quarta-feira o envio de monitores para supervisionar o cessar-fogo entre Rússia e Geórgia na região separatista da Ossétia do Sul.

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'Estamos determinados a agir no território', disse o chanceler da França, Bernard Kouchner, ao final de uma reunião de emergência. Paris mediou a trégua e preside a UE neste semestre.

'A UE deve estar preparada para se envolver, inclusive no território, no apoio a todos os esforços, incluindo os da ONU e da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), em prol de uma resolução duradoura e pacífica dos conflitos na Geórgia', disse nota conjunta dos ministros participantes, que também prometeram uma pronta ampliação da ajuda humanitária.

A Finlândia, presidente de turno da OSCE, propôs ampliar de 200 para 300 o número de monitores dessa organização pan-européia na Geórgia. Mas os ministros deixaram claro que qualquer missão de paz européia mais ampla exigiria uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia tem poder de veto.

Kouchner, que acompanhou o presidente Nicolas Sarkozy na viagem de mediação à Rússia, na terça-feira, disse em entrevista coletiva que está convencido de que Moscou aceitaria a presença dos europeus e de outros.

Já o chanceler sueco, Carl Bildt, mostrou-se cético quanto a isso. 'Não há sinais de que a Rússia deixe ninguém mais entrar (na Ossétia do Sul). Não vejo realmente isso acontecer -- no momento os russos estão firmemente no controle.'

Os chanceleres da Otan se reúnem na próxima terça-feira para discutir a proposta norte-americana de rever as relações estratégicas com Moscou diante da intervenção russa na Geórgia.

O chefe da política externa da UE, Javier Solana, disse que aproveitará a próxima reunião ministerial dos chanceleres, no começo de setembro, para sugerir o envio de tropas de paz européias.

A chanceler georgiana, Ekaterine Tkeshelashvili, foi a Bruxelas pedir apoio da UE e Otan e disse que as forças russas continuam atacando a cidade de Gori, fora do território da Ossétia do Sul.

Ele agradeceu a UE pelo apoio à integridade territorial do seu país e pelo interesse em enviar tropas e paz. Mas pediu o estabelecimento de um cronograma e uma condenação mais firme das ações russas.

'Temos uma sensação de frustração, sim, porque sentimos que ações desse tipo têm de ser abertamente condenadas. Mas ao mesmo tempo entendo... A Europa tenta ser a mediadora, talvez seja difícil pôr a culpa (na Rússia).'

Moscou colocou tropas na Ossétia do Sul depois que Tbilisi ocupou militarmente o território, uma região separatista, etnicamente diversa, que pertence formalmente à Geórgia, mas desde o começo da década passada goza de autonomia sob proteção russa.

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