União Europeia anuncia novas sanções contra o Irã

Países do bloco impõem punição contra 180 indivíduos e empresas iranianas por causa de programa nuclear

iG São Paulo |

Os países da União Europeia concordaram nesta quinta-feira em impor sanções contra 180 indivíduos e empresas do Irã por causa de seu programa nuclear. A decisão foi anunciada por diplomatas após uma reunião de chanceleres do bloco em Bruxelas.

Os nomes dos alvos da punição serão divulgados na sexta-feira. De acordo com diplomatas, as empresas terão seus ativos na Europa congelados, enquanto os indivíduos serão proibidos de entrar nos países do bloco, além do congelamento de bens.

AP
Da esquerda para a direita, chanceleres de Holanda, Luxemburgo, Alamanha e Itália ouvem o ministro britânico William Hague antes de reunião da UE em Bruxelas
Nesta quinta-feira, não houve acordo sobre um embargo ao petróleo iraniano, defendido por alguns países como uma forma de diminuir a receita usada pelo Irã em seu programa nuclear que, segundo o Ocidente e a agência nuclear da ONU, visa à construção de armas atômicas - algo que o governo do país persa nega.

Mas os ministros que se encontraram em Bruxelas também concordaram em continuar trabalhando em direção à adoção de outras medidas que poderiam atingir o setor energético do país. Em comunicado, eles afirmaram: "O conselho concordou em ampliar as sanções existentes, examinando, em coordenação com os parceiros internacionais, medidas adicionais, incluindo medidas com o objetivo de afetar severamente o sistema financeiro iraniano, o setor de transportes e o setor de energia."

De acordo com o chanceler francês, Alain Juppé, a Grécia, que depende de petróleo iraniano, foi contra a medida, que era estudada de forma mais detalhada pelo bloco antes do próximo encontro de ministros das Relações Exteriores, em janeiro.

"Estamos trabalhando nisso", disse Juppé, questionado sobre a possibilidade de sanções ao petróleo do Irã. "A Grécia expressou algumas preocupações e nós temos de levá-las em consideração e trabalhar com os diferentes parceiros de modo que a interrupção do fornecimento do petróleo do Irã possa ser compensada por um aumento da produção de outros países. É algo totalmente possível."

Antes da reunião, o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, tinha dito que era necessário "intensificar a pressão econômica sobre o Irã". A pressão britânica por sanções contra o país persa aumentou nesta semana, depois da invasão à sua embaixada em Teerã .

Em resposta à invasão, Hague ordenou o fechamento imediato da Embaixada do Irã em Londres, com toda a sua equipe tendo de deixar o país em 48 horas.

Em solidariedade ao Reino Unido, na quarta-feira os governos de Alemanha, França e Holanda convocaram seus embaixadores no Irã para consultas. Nesta quinta, a Itália fez o mesmo.

Leia também: Relação entre Reino Unido e Irã é historicamente marcada por tensão

O ataque lançado por centenas de manifestantes foi uma retaliação à decisão do Reino Unido de impor sanções adicionais contra Teerã por seu programa nuclear. As sanções fizeram com que o Parlamento iraniano aprovasse no domingo a redução dos laços com o Reino Unido . As punições foram tomadas depois de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reafirmar as suspeitas de que o programa nuclear de Teerã tem objetivos militares .

No relatório, a AIEA afirmou pela primeira vez que o Irã é suspeito de conduzir experimentos secretos cujo único propósito é o desenvolvimento de armamento atômico. De acordo com o documento, enquanto parte do trabalho nuclear secreto do Irã pode ter propósitos pacíficos, "outros são específicos para armas nucleares".

Um anexo de 13 páginas ao relatório da agência sobre o Irã detalha inteligência e pesquisa da AIEA que mostram que Teerã trabalha em todos os aspectos de pesquisa com o objetivo de construir uma arma, incluindo produzir uma ogiva para um míssil.

Em resposta ao relatório, o presidente do Irã, Mahmoud Ajmadinejad, disse que o país não vai recuar em seu programa nuclear. “Por que a agência nuclear da ONU arruína seu prestígio com afirmações absurdas dos Estados Unidos?”, questionou.

Síria

Os chanceleres da UE também anunciaram novas sanções contra a Síria para aumentar a pressão contra o governo do presidente Bashar al-Assad, que reprime brutalmente protestos da oposição que começaram em março.

As novas sanções atingem 12 indivíduos e 11 empresas. Em comunicado, os ministros disseram que a repressão pode "levar a Síria a um caminho muito perigoso de violência, conflitos sectários e militarização".

Também nesta quinta-feira, a agência de notícias estatal egípcia afirmou que a Liga Árabe colocou 17 nomes do governo sírio em uma lista de indivíduos proibidos de viajar para os países do grupo. A lista incluiria o irmão de Assad, Maher, que comanda a Guarda Republicana e é o segundo homem mais poderoso da Síria.

O comitê da Liga encarregado de supervisionar sanções também recomendou interromper voos provenientes e direcionados à Síria a partir de meados de dezembro. Mas disse que as vendas de trigo, remédios, gás e eletricidade devem ser excluídas do embargo. O pacote de sanções deve ser finalizado até sábado.

Com BBC, AP, EFE e Reuters

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