União Africana pede governo de união no Zimbábue

O encontro de líderes da União Africana (UA) em Sharm el-Sheik, no Egito, terminou nesta terça-feira com uma resolução pedindo para que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e a oposição formem um governo de unidade nacional para tentar resolver a crise política do país. A resolução pede ainda que os dois lados dialoguem para manter a estabilidade no país, mas não faz críticas diretas a Mugabe nem indica quem deveria ser o primeiro-ministro no governo de unidade nacional proposto.

BBC Brasil |

O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, venceu o primeiro turno das eleições em março, e, relutantemente, havia concordado em disputar o segundo turno da última sexta-feira, mas resolveu sair da disputa na semana passada alegando intimidação por parte do governo. Seu partido, o MDC, afirma que quase 90 de seus simpatizantes foram assassinados durante a campanha eleitoral.

Como candidato único, Mugabe foi declarado o vencedor do pleito e assumiu um novo mandato no último domingo, gerando uma onda de críticas internacionais questionando a lisura do processo eleitoral.

A comissão eleitoral do país disse que Mugabe recebeu 85,5% dos votos válidos, mas observadores da própria União Africana disseram que o pleito não atingiu os padrões da organização para eleições democráticas.

Rejeição
No entanto, horas antes da divulgação da resolução, tanto um porta-voz de Mugabe como um líder da oposição rejeitaram a idéia de dividir o poder.

"O Quênia é o Quênia, Zimbábue é Zimbábue. Temos nossa própria história de diálogo e de resolver impasses políticos de nossa maneira", disse George Charamba, porta-voz de Mugabe, quando lhe perguntaram se o presidente aceitaria uma divisão de poder como a que ocorreu no Quênia.

"A saída será definida pelo povo do Zimbábue sem interferência externa", disse ele.

Segundo Charamba, as críticas internacionais ao processo que reelegeu Mugabe "lembram um tempo em que o homem branco reinava supremo no Zimbábue. E esse período acabou para sempre".

Já o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, negou que já estejam acontecendo negociações com o governo e disse que as supostas irregularidades nas eleições "acabaram totalmente com qualquer possibilidade de uma solução negociada".

Diplomacia
A maior parte dos líderes africanos presentes no evento egípcio, que teve a crise zimbabuana como assunto principal, evitou criticar abertamente Mugabe, como havia sido pedido por vários líderes ocidentais.

Uma exceção foi o vice-presidente de Botswana, Mompati Merfahe, que disse que o pleito não refletiu a vontade do povo e pediu pela exclusão do Zimbábue da UA e de discussões regionais.

Por outro lado, o presidente do Gabão, no cargo desde 1967 (o presidente africano há mais tempo no poder), disse que Mugabe deve ser aceito como o presidente eleito do Zimbábue.

Correspondentes dizem que a ausência de críticas ocorre porque há divergência quanto à profundidade das medidas e da pressão que poderiam ser adotadas sobre o regime Mugabe.

Robert Mugabe, que tem 84 anos de idade e está no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, é tido como um dos maiores nomes do continente na luta contra o colonialismo europeu.

Os líderes africanos estariam relutantes em tomar posições que poderiam ser interpretadas pela opinião pública de seus países como demasiadamente pró-européias.

A África do Sul vem tentando servir de mediadora de disputas envolvendo o governo de Mugabe, mas críticos afirmam que a estratégia do presidente Thabo Mbeki estaria se mostrando ineficiente.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG