União Africana defende produção própria de genéricos anti-Aids

Por Barry Malone ADIS-ABEBA (Reuters) - A África precisa produzir seus próprios medicamentos genéricos para continuar a combater o HIV/Aids durante a crise financeira e garantir que as economias instáveis do continente possam se beneficiar da produção de drogas, afirmou a União Africana (UA).

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"A África não deveria apenas importar as drogas todo o tempo", disse à Reuters o comissário da UA para assuntos sociais, Bience Gawanas, nos bastidores de uma conferência de ministros de Saúde africanos na capital da Etiópia, Adis-Abeba.

"A maior parte de nossas drogas anti-HIV/Aids vem de fora da África. Como podemos estar seguros de que isso continuará durante a crise financeira?", questionou.

A África do Sul é o único país africano a produzir medicamentos usados para combater o HIV/Aids.

Michel Sidibé, o novo diretor da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o HIV/Aids e o primeiro africano a ocupar o posto, disse que sua prioridade será garantir que todos os africanos que sofram com o vírus tenham acesso a medicamentos.

A maioria dos africanos infectados não tem acesso a tratamento, embora alguns países estejam se saindo excepcionalmente bem, afirmou Gawanas.

"Alguns países da África têm atualmente 80 por cento das pessoas com HIV/Aids recebendo drogas antirretrovirais", disse Gawanas. "Mas se houver cortes (no apoio proveniente dos países doadores), o progresso continuará? Precisamos mobilizar a produção local."

As economias africanas se beneficiariam com as drogas produzidas internamente, disse Gawanas.

Estima-se que 33 milhões de pessoas estejam infectadas no mundo pelo vírus HIV, que causa a Aids -- a maioria delas vive na África ou em outros países em desenvolvimento.

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