União Africana condena golpe militar no Níger

A União Africana (UA) condenou nesta sexta-feira um golpe de Estado em Níger, onde militares prenderam na véspera o presidente Mamadou Tandja. O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, disse que está acompanhando a evolução dos fatos com preocupação, depois de um dia de tiroteios que culminaram com o golpe liderado pelo coronel Salou Djibo.

BBC Brasil |

A Comunidade Econômica das Nações do Oeste da África (Ecowas, em inglês, e que reúne 16 países) "condenou totalmente" a derrubada de Tandja e enviou uma missão para conversar com os autores do golpe.

Mas um ativista da oposição disse à BBC que os soldados eram "patriotas honestos" que estavam lutando contra a tirania.

Artilharia pesada
Tandja provocou uma crise política em agosto passado quando alterou a constituição do país, que é rico em urânio, para permitir que ficasse no poder indefinidamente.

A Ecowas, que suspendeu o Níger da organização depois da iniciativa de Tandja, disse ter "tolerância zero" em relação a mudanças inconstitucionais feitas por governos.

"Nós condenamos o golpe de Estado, assim como condenamos o golpe de Estado à Constituição dado por Tandja", disse um representante da Ecowas em entrevista à BBC, Abdel Fatau Musa.

Ele disse que o grupo já enviou uma equipe para o Níger e vai manter sanções "até que a ordem constitucional seja restaurada".

O correspondente da BBC na capital do Níger, Niamey, Idy Baraou, disse na manhã desta sexta-feira que as pessoas parecem estar agindo de maneira normal na cidade, indo a mesquitas e a lojas.

Segundo Baraou, não há uma presença militar óbvia nas ruas, mas foi instalada artilharia pesada em volta do palácio presidencial.

A rádio estatal vem transmitindo marchas militares pela madrugada, e a emissora de TV estatal Tele Sahel continua a exibir ao vivo um campeonato tradicional de luta livre.

Em um pronunciamento pela TV na noite de quinta-feira, um porta-voz dos golpistas anunciou que a Constituição foi suspensa e todas as instituições do Estado foram dissolvidas.

A junta, autodenominada Conselho Supremo para a Restauração da Democracia, impôs um toque de recolher e fechou as fronteiras do país.

Os golpistas disseram que o objetivo deles é restaurar a democracia e resgatar a população "da pobreza, do engodo e da corrupção".

Segundo os relatos locais, os tiroteios no entorno do palácio presidencial deixaram vários mortos na quinta-feira.

Militares capturaram Tandja enquanto ele presidia sua reunião ministerial semanal, disse à BBC uma fonte do governo.

Pouco se sabe sobre o líder do golpe, coronel Djibo. Como comandante da "zona militar 1", encarregada de Niamey e das regiõs de Dosso e Tillaberi, ele controla 40% do arsenal militar.

Um outro golpista, coronel Djibrilla Hima Hamidou, foi porta-voz da junta responsável pelo último golpe militar no país, em 1999.

O presidente do Níger foi assassinado durante aquela tomada de poder, mas a democracia foi restaurada em menos de um ano.

Um ativista da oposição, Mahamadou Karijo, cujo Partido para a Democracia e Socialismo vem fazendo uma oposição ferrenha ao regime de Tandja, elogiou os soldados por "lutar contra a tirania".

"Eles se comportam como dizem - eles não estão interessados em liderança política. Eles vão lutar para salvar o povo nigerino de qualquer tipo de tirania", afirmou à BBC.

História de instabilidade
O governo e a oposição vem mantendo um diálogo intermitente desde dezembro para tentar resolver a crise política do país.

Tandja, ex-oficial do Exército, foi eleito pela primeira vez em 1999 e ganhou novo mandato em uma eleição em 2004.

Seu atual paradeiro é desconhecido, mas acredita-se que os soldados o estejam mantendo em uma base militar no subúrbio de Niamey.

Níger vem vivendo longos períodos de regime militar desde que ficou independente da França, em 1960.

É um dos países mais pobres do mundo, mas os partidários de Tandja alegam que sua década no poder trouxe um grau de estabilidade econômica.

Em sua gestão, a empresa energética francesa Areva começou a trabalhar na segunda maior mina de urânio do mundo, investindo o que se estima ser US$ 1,5 bilhão no projeto.

A Corporação Nacional de Petróleo da China assinou um contrato de US$ 5 bilhões em 2008 na área de petróleo dentro de três anos.

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