Unger diz que Brasil deve alcançar consenso intelectual com a Argentina

Buenos Aires, 20 abr (EFE).- O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, afirmou em entrevista a um jornal argentino que acredita que o Brasil deve chegar a um consenso intelectual com a Argentina para debater as respectivas estratégias nacionais de desenvolvimento.

EFE |

Na entrevista, publicada pelo jornal "Clarín", o ministro também disse que pretende começar a trabalhar com a Argentina em projetos bilaterais relacionados à política industrial para pequenas e médias empresas, para agricultura, para ciência e tecnologia e na área militar.

"O Brasil deve evitar a involução econômica. Estamos em um período de aparente prosperidade", declarou Mangabeira, que advertiu que caso o Brasil siga neste caminho acabará se tornando apenas um local de exploração, dedicado ao cultivo, à exploração mineira e à exportação de matéria-prima.

O ministro também afirmou que para isto conta com "a colaboração dos argentinos" e sustentou que esta cooperação pode acontecer em projetos de pequenas empresas e em transferência de tecnologia.

"A política industrial no Brasil tradicionalmente foi orientada para as grandes empresas e agora queremos conduzi-la em função das pequenas e dos empreendimentos quase pessoais", declarou o ministro brasileiro ao jornal argentino.

"Isso requer que o pequeno produtor se abasteça de crédito, o que é muito mais importante nesta etapa que o crédito ao consumidor. Em seguida vem a transferência de tecnologia", acrescentou.

O ministro disse que o interesse do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva é alcançar uma "alta produtividade e a valorização do trabalho", pois o "Brasil, como muitos países de renda média, pode ficar entre um modelo de economia de trabalho barato e outro de economia de produtividade" elevada.

Segundo Mangabeira, o Brasil deve "organizar paralelamente uma política agrícola que supere o contraste nocivo entre o ideário agrícola orientado à agricultura empresarial e o ideário associado à agricultura familiar".

"Devemos organizar o sistema de preços, o seguro agrícola e o seguro de receitas para resguardar a agricultura contra a combinação fatal do risco econômico e físico", encerrou. EFE ms/rr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG