Unasul pode, enfim, ter um secretário-geral: Néstor Kirchner

Mar Marín. Buenos Aires, 2 mai (EFE).

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Mar Marín. Buenos Aires, 2 mai (EFE).- A Cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) prevista para a próxima terça-feira, na Argentina, pode marcar um "antes" e um "depois" no organismo com a escolha de seu secretário-geral, cargo que, se tudo acontecer como previsto pelo país anfitrião, será ocupado por seu ex-presidente Néstor Kirchner. Desde seu nascimento, em maio de 2008, a Unasul, herdeira da Comunidade Sul-Americana de Nações, tem a escolha da Secretaria-Geral como necessidade pendente. Foram várias tentativas de ocupar o cargo, e muitas as lutas internas por esse motivo, mas agora parece haver consenso para que Kirchner, que presidiu a Argentina entre 2003 e 2007, ocupe o posto. O ex-líder, atualmente deputado e presidente do Partido Justicialista (peronista), conta com o apoio declarado de Equador - que exerce a Presidência temporária da Unasul - Brasil, Peru, Bolívia, Chile, Venezuela e Paraguai. Segundo os estatutos da Unasul, que não estão ratificados, a eleição do secretário-geral deveria ser feita por unanimidade embora o presidente em turno da organização, o equatoriano Rafael Correa, tenha afirmado que bastaria um amplo consenso para decidir a designação, já que a regulamentação não está vigente. A incógnita, até agora, é a postura que manterá a Colômbia, embora fontes oficiais argentinas tenham assegurado que o país manifestou sua intenção de apoiar a candidatura de Kirchner, que, de acordo com os estatutos do bloco, deveria dedicar-se à Secretaria-Geral em tempo integral, o que poderia por em jogo seus cargos como deputado e presidente de partido. "Dos 12 membros da Unasul, 11 manifestaram pública ou privadamente sua vontade de apoiar a candidatura de Néstor Kirchner como secretário-geral. O único país que ainda não o fez foi o Suriname, mas também não anunciou que irá vetar", assinalaram à agência Efe fontes governamentais argentinas. "Temos confiança de que em 4 de maio o apoio de todos os países possa ser para a candidatura argentina. Se for assim, nesse dia já poderemos contar com um secretário-geral da Unasul", assinalou recentemente o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño. Mas, no caso da Unasul, sempre há lugar para as surpresas de última hora, como adverte o analista argentino Rosendo Fraga, que considera que "o Governo argentino acredita que já alcançou a designação do ex-presidente Kirchner como representante permanente da Unasul", mas "a eleição pode se atrasar mais uma vez". Kirchner tentou chegar ao cargo há dois anos, mas então enfrentou o veto do Uruguai, apoiado por Peru e Colômbia, que impediram sua designação. O enfrentamento político que mantinham Buenos Aires e Montevidéu pela decisão unilateral do Uruguai de autorizar a instalação de uma fábrica de celulose sobre o rio que divide os países foi definitivo para o veto do então presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez. A proximidade do novo presidente do Uruguai, José Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, a Kirchner e a sua esposa, a presidente Cristina Fernández, permitiu vencer as resistências, embora ainda esteja pendente uma saída ao conflito bilateral provocado pela instalação da empresa finlandesa Botnia na beira uruguaia do rio. Para avançar na solução do problema, Mujica se reuniu esta semana com Cristina em Buenos Aires, depois que a Corte Internacional de Justiça de Haia determinou que Montevidéu violou um acordo bilateral sobre o uso do rio, mas não obrigou o Uruguai a desmantelar a planta nem estabeleceu compensações econômicas para a Argentina. Embora o chanceler uruguaio, Luis Almagro, tenha apontado recentemente que "o tema será analisado a partir do zero", fontes oficiais argentinas asseguram que, em privado, Mujica se comprometeu com Cristina a levantar o veto do Uruguai sobre a candidatura de Kirchner. Conflitos bilaterais como este e divisões internas atrasaram até agora a escolha do secretário-geral da Unasul, cargo para o qual inicialmente foi designado o ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja. Borja renunciou em maio de 2008, um mês após ser nomeado, por divergências entre os países do bloco. Naquele momento, o ex-presidente equatoriano explicou que aceitou a nomeação por sua "vocação integracionista", mas que decidiu renunciar ao comprovar que os Estados-membros não aceitavam que a Unasul administrasse a integração regional. Um problema que a Unasul não foi capaz de resolver ainda, dadas as graves diferenças internas que mantém sobre questões-chave para a região, como as relações com os Estados Unidos ou recentes conflitos como o de Honduras após o golpe de Estado contra Manuel Zelaya. EFE mar/fm/mh

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