Quito, 8 ago (EFE).- Os ministros do Conselho de Saúde da União de Nações Sul-americanas (Unasul), reunidos hoje em Quito, pedirão à Organização Mundial da Saúde (OMS) que garanta a distribuição da vacina contra a nova gripe à população mais vulnerável.

Embora essa vacina ainda não tenha sido descoberta, diversos países "do primeiro mundo (...) já a têm pré-comprada", disse a ministra da Saúde do Equador, Caroline Chang, encarregada de explicar à imprensa os pontos estipulados pelo Conselho de Saúde, que estarão na Declaração de Bicentenário.

Os Governos da Unasul reiteraram seu apoio à "liderança" da OMS para que negocie com "os laboratórios e países do primeiro mundo" e "garanta o acesso à população mais vulnerável", explicou Chang.

Além disso, disse que, de forma conjunta, as nações integrantes do organismo regional decidiram fortalecer estratégias tecnológicas para a produção de remédios em seus países, dentro do que denominou de "supremacia dos interesses da saúde pública sobre os interesses comerciais e econômicos".

Segundo a representante equatoriana, os Governos da Unasul estabelecerão uma estratégia de negociação conjunta, através do fundo rotatório da Organização Pan-americana da Saúde (OPS) para "garantir o acesso equitativo" aos remédios.

Adicionalmente, esses países se comprometeram a não comprar remédios para o vírus A (H1N1) "a preços acima do estabelecido pelo fundo (da OPS), evitando que, desta maneira, os interesses comerciais se aproveitem do pânico e da incerteza causados pela pandemia", disse Chang.

De acordo com os dados da OPS, "se considerarmos uma dose por pessoa estaríamos considerando (a necessidade de ter) 200 milhões de vacinas", disse.

Jeanette Vega, subsecretária de Saúde Pública do Chile, disse que os países latino-americanos vão desenvolver uma estratégia "de priorização comum" e que, de acordo com os dados que possuem em nível regional, 30% da população dessas nações "fariam parte dos grupos vulneráveis".

Acrescentou que há países desenvolvidos que "assumem que vão vacinar 100% da população, e isso é em detrimento dos países que não têm a mesma oportunidade de negociar economicamente".

A reunião extraordinária do Conselho de Saúde, em Quito, teve a participação dos ministros e altos representantes dessa pasta do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai, além de representantes do México e da OPS. EFE ic/an

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