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Unasul exige fim de protestos para iniciar diálogo

A reunião extraordinária de chefes de Estado da Unasul terminou na noite desta segunda-feira exigindo da oposição boliviana a desocupação imediata das instituições públicas como condição para mediar um processo de diálogo no país. Os presidentes do bloco também defenderam a legitimidade do governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, e rechaçaram qualquer tentativa de golpe.

BBC Brasil |

A Unasul "condena o ataque às instalações públicas e exige a pronta entrega das instituições para que se comece um processo de diálogo", diz a declaração do La Moneda, que foi lida pela presidente anfitriã Michelle Bachelet.

Os presidentes advertiram que "não reconhecerão qualquer situação que implique uma tentativa de golpe civil, de ruptura da ordem institucional ou que comprometa a integridade territorial" da Bolívia.

A reunião foi realizada à portas fechadas no Palácio La Moneda, em Santiago de Chile e durou mais de cinco horas.

Comissões
Os presidentes da Unasul acordaram a criação de três comissões especiais que serão coordenadas pelo Chile, país que assume a presidência temporária do bloco.

A primeira comissão estará encarregada de investigar a morte de pelo menos 30 pessoas no Departamento (Estado) de Pando, durante este fim de semana.

"Será realizada uma investigação imparcial que formulará recomendações para garantir que esses fatos não fiquem impunes", diz a declaração.

A outra comissão de "diálogo" estabelecerá uma mesa de negociação entre o governo e a oposição bolivianos para colocar fim aos protestos violentos e estabelecer um canal de diálogo entre as partes.

O terceiro grupo apoiará a Bolívia na área logística e de "recursos humanos especializados", diz o texto, sem detalhar o teor desta ajuda.

Em uma breve entrevista ao final da reunião, o presidente da Bolívia pediu a seus opositores que escutem aos presidentes da região e anunciou que retomaria o diálogo com esses grupos nesta terça-feira.

"É importante que alguns grupos escutem o que dizem os governo da América do Sul e seus presidentes (...) e devolvam as instituições do Estado", afirmou Morales.

Desde o começo dos conflitos na Bolívia, há uma semana, os grupos opositores invadiram instituições públicas como parte dos protestos contra o governo.

Chávez
Apesar da crise entre Bolívia, Venezuela e EUA não ter sido mencionada na declaração final, o presidente da Venezuela voltou a acusar a Casa Branca de tramar um golpe contra seu principal aliado na região.

"Falo por mim. Pedimos ao governo dos EUA que retire suas mãos da Bolívia, que retire suas mãos da América Latina. O governo dos EUA é o grande conspirador", disse Chávez ao final da reunião.

Na quinta-feira os governos da Bolívia e Venezuela expulsaram os embaixadores norte-americanos de seus países.

Golpe
Ao chegar à capital chilena, Morales disse que vinha explicar a seus colegas a tentativa de golpe que havia sofrido nos últimos dias.

"Venho aqui para explicar aos presidentes da América do Sul sobre um golpe de Estado que alguns Departamentos têm gestado nos últimos dias, com a tomada de instituições e saques", afirmou Morales.

Criada em março, essa foi a primeira reunião extraordinária convocada pela Unasul para discutir uma crise regional.

A disputa entre governo e oposição é motivada por duas questões centrais: a nova Constituição do país, aprovada com votos da situação, mas sem a participação da oposição, e os cortes no repasse de verbas do setor petroleiro para as regiões, que estão sendo destinados à um programa assistencial para aposentados.

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