Unasul enfrenta desafio sobre acordo militar entre Colômbia e EUA

Natalia Kidd. Buenos Aires, 27 ago (EFE).- A cúpula extraordinária que será realizada amanhã na cidade argentina de Bariloche representa um desafio para a União de Nações Sul-americanas (Unasul), após o fracasso da reunião do início de agosto, em Quito.

EFE |

A reunião foi convocada para discutir o conflito regional gerado pelo acordo alcançado entre Bogotá e Washington para o uso de bases colombianas por tropas americanas, principal foco de tensão na cúpula de Quito, onde não foi possível chegar a um consenso sobre a declaração final.

O acordo provocou a ira do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que lidera o setor crítico mais duro, apoiado pelo equatoriano Rafael Correa e pelo boliviano Evo Morales. O pacto também gerou mal-estar em Brasil e Argentina, e foi recebido com respeito por Chile, Paraguai, Uruguai e Peru.

Para a Argentina, anfitriã da cúpula, a organização enfrenta um "novo desafio" na tentativa de encontrar uma saída para o conflito.

Na Unasul, "há vontade política de se encontrar, embora (a organização) esteja ainda muito submetida a condicionamentos internos e a relações ainda frágeis", admitiu recentemente o chanceler argentino, Jorge Taiana, convencido da necessidade de recuperar a capacidade de diálogo entre os membros do grupo.

Fontes diplomáticas sul-americanas reconheceram que não será fácil encontrar uma solução satisfatória para todas as partes, mas destacaram a importância de conseguir que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ofereça garantias suficientes.

Também seria desejável a definição pela Colômbia de um "mecanismo de confiança" com seus vizinhos e diminuir as reservas sobre as consequências para a região do aumento da presença militar americana em território colombiano.

Consciente do desafio enfrentado pela Unasul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer evitar que a polêmica se traduza em "retrocessos" na integração regional.

"O central é não permitir que esse tema, embora delicado, cause retrocessos na integração sul-americana", disse o porta-voz da Presidência brasileira, Marcelo Bauchman, às vésperas da visita de Lula a Evo Morales, que chegou a colocar na reunião de Quito a expulsão da Unasul dos membros que permitirem a presença de bases estrangeiras em seu território.

Segundo analistas consultados pela Agência Efe, a controvérsia dificilmente poderá ser resolvida em Bariloche, devido à polarização das posições em disputa, deixando dúvidas sobre o futuro da Unasul, constituída em maio de 2008.

O bloco sul-americano tinha mostrado sua capacidade para a resolução de conflitos quando, no ano passado, ajudou a dirimir com sucesso a crise política na Bolívia.

"Mas o acordo Colômbia-EUA já abriu uma brecha no interior do bloco regional. As condutas dos líderes estão se polarizando", disse Ariel González Levaggi, diretor-executivo do Centro Argentino de Estudos Internacionais.

Para o acadêmico Félix Peña, membro do Conselho Argentino para as Relações Internacionais, à margem das limitações próprias do processo de constituição da Unasul - que, por exemplo, não conseguiu escolher um secretário-geral por falta de consenso -, é uma "boa notícia" que o bloco se reúna para "encarar um problema concreto".

Em grande medida, concordam os especialistas, o futuro da união dependerá do papel do Brasil, líder indiscutível na região.

O antigo "ABC" (Argentina, Brasil e Chile), disse Peña, "tem um papel importante a desempenhar na preservação da paz e da estabilidade política na região" e "a Unasul é um dos espaços no qual podem canalizar sua ação diplomática, muitas vezes coletiva, e, inclusive, bem silenciosa, como costuma ser a boa diplomacia".

A reunião "é uma grande oportunidade que temos para mostrar que a América do Sul está construindo sua democracia, sua prosperidade e estamos trabalhando para que reine a paz na América do Sul", afirmou Lula no fim de semana passado. EFE nk/an/rr

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