Unasul é fundada com valor mais simbólico do que prático

Ana Gerez Brasília, 23 mai (EFE).- A União de Nações Sul-americanas (Unasul) foi hoje oficialmente constituída na capital brasileira, acontecimento que vários presidente consideraram histórico, mas que representa um avanço mais simbólico que prático.

EFE |

A ata de fundação do bloco, aprovada em uma cúpula extraordinária, determina a criação de instituições básicas, dentre elas uma secretaria permanente, com sede em Quito, e dois conselhos, um de chefes de Estado e outro de ministros.

Porém, o estabelecimento do Conselho de Defesa Sul-Americano, proposto pelo Brasil e que daria sinais de consenso e progresso caso fosse aprovado, acabou fracassando, sobretudo por causa da Colômbia, único país que se opôs abertamente ao órgão.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse hoje que seu país "tem uma democracia viva e respeitável", que está sendo agredida pelo terrorismo.

No entanto, os presidentes decidiram criar um grupo de trabalho, como propôs Uribe, para definir, em um prazo de 90 dias, como seria o conselho.

A crise diplomática entre Colômbia, Venezuela e Equador não chegou a ofuscar cúpula e sequer foi levada à mesa de discussão.

Apesar disso, as tensões existentes entre as três nações estiveram implícitas nas declarações dos presidentes e em suas posições a respeito do futuro da integração.

Dos 12 presidentes convidados para a cúpula, que inicialmente aconteceria em Cartagena de Indias (Colômbia), o único que não compareceu à reunião foi Tabaré Vásquez, chefe de Estado do Uruguai e que foi representado pelo vice Rodolfo Nin Novoa.

A ata constitucional do grupo de países, integrado por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Paraguai, Suriname, Uruguai e Venezuela, foi assinada por todos os presentes, e prevê reuniões ministeriais semestrais e encontros bimestrais de menor nível.

O bloco regional nasce com a ambição de alguns de, no futuro, contar com um mecanismo de integração único, que reunisse os países do Mercosul e da Comunidade Andina (CAN), sem ameaçar a continuidade destes.

Indício das dificuldades do processo de criação da aliança foi a renúncia, por divergências com a maioria de presidentes, do secretário-geral da Unasul, o ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja, apenas um ano depois de ter sido designado para o cargo.

Borja afirma que o Mercosul e a CAN "se aproximam do esgotamento" e devem se unir em um bloco regional que permita avançar a "vocação integracionista" da região. Além disso, ele questionava a criação de um órgão executivo de 12 membros, que, na sua opinião, deixaria a secretaria sem muitas competências.

Outro sinal das debilidades da Unasul foi a impossibilidade de uma cúpula ordinária ser realizada em Cartagena, onde a Bolívia repassaria à Colômbia a presidência rotativa do bloco regional.

Uribe desistiu de assumir a incumbência de comandar as ações do grupo devido à crise com a Venezuela e o Equador. Por conta disso, coube ao Chile a missão de começar a fazer a aliança funcionar.

Apesar de tudo, os presidentes tentaram passar uma imagem positiva da cúpula, que durou algumas horas e na qual alguns líderes apenas marcaram presença.

Os comentários feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua colega chilena, Michelle Bachelet, e pelo governante boliviano, Evo Morales, ilustraram bem o percurso do projeto até o dia de hoje.

Lula afirmou que a Unasul nasceu como uma interlocutora indispensável em um novo mundo multipolar e com capacidade para movimentar o cenário mundial.

Ao aceitar a presidência rotativa, Bachelet pediu a seus colegas sul-americanos que usem "toda a energia possível para colocar em andamento" a aliança, que dará à América do Sul "a oportunidade de ter uma voz forte e clara perante o mundo".

A ata constitutiva do grupo prevê que todos os países da América Latina e do Caribe poderão solicitar sua adesão à Unasul a partir do quinto ano da entrada em vigor do tratado, que agora terá de ser aprovado pelos Parlamentos nacionais.

"Nascemos como um espaço aberto para toda a América Latina e o Caribe, que queremos ir integrando gradualmente", disse Lula na entrevista coletiva. EFE ag/sc

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