Unasul demonstra peso político com nova reunião sobre a Bolívia

Pilar Valero. Nações Unidas, 24 set (EFE).- Os presidentes da União Sul-americana de Nações (Unasul), entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniram hoje, pela segunda vez em menos de um mês, para analisar a crise boliviana.

EFE |

Lula disse que a nova união política (Unasul) coordenará os países da região em termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade de produção, finanças e defensa.

Mas, de modo geral, o encontro convocado pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, e realizado na sede da ONU, paralelamente à Assembléia Geral da organização, serviu para que a aliança regional passasse em revista as negociações para o fim do conflito entre os opositores autonomistas da Bolívia e o Governo de Evo Morales.

Presente na reunião, o chefe de Estado boliviano agradeceu o apoio da Unasul a seu Governo, porque favoreceu o diálogo e relaxou as tensões políticas.

Bachelet disse à imprensa ao término do encontro, que durou pouco mais de uma hora, que a Unasul "demonstrou ser um elemento importante de solução dos problemas" latino-americanos.

"Vamos continuar avançando no acompanhamento (dos acordos) aprovados em Santiago", disse, em referência ao conflito político e social que a Bolívia vive.

No entanto, a presidente chilena decidiu adiar uma reunião prevista para 21 de outubro na cidade de Viña del Mar, que seria a terceira em pouco mais de um mês sobre o mesmo tema, e marcou para o fim do ano o novo encontro, já que todos voltarão a se encontrar em dezembro, na cúpula do Mercosul que acontecerá em Salvador.

Nesta quarta-feira, os presidentes da Unasul também discutiram a nomeação de um secretário-geral para a aliança, mas a decisão acabou adiada, apesar de o Equador ter indicado o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner para o posto.

O chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, disse à Agência Efe que a reunião da Unasul provou que, "além da retórica, há consensos muito claros compartilhados", e que o grupo tem "uma vitalidade nova".

Belaúnde negou que a Unasul esteja em contradição com outros grupos regionais latino-americanos, como o Grupo do Rio, o Mercosul ou a Comunidade Andina de Nações (CAN).

É um instrumento que responde à vocação da América Latina de contar com instrumentos de diálogo frente a crises regionais, acrescentou o chanceler peruano.

Durante a Assembléia da ONU, vários presidentes latino-americanos destacaram a força que a Unasul vem ganhando como fórum político em que a América Latina resolve seus próprios problemas, sem tutela externa.

A presidente argentina, Cristina Fernández, disse ontem que, na América do Sul, os Governos "podem dar o exemplo de como se constrói o multilateralismo, apesar das diferenças entre os países".

Já o chefe de Estado paraguaio, Fernando Lugo, ressaltou hoje que seu Governo protagonizou "um fato histórico de solidariedade" entre os povos democráticos da América Latina quando, no âmbito da Unasul, saiu rapidamente em defesa de Governos eleitos como o da Bolívia.

Ontem, Morales também disse que o grupo de países deixou de ser uma simples sigla, virou "realidade" e está pronto para "libertar a América do Sul". EFE va/sc

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