Bariloche (Argentina), 27 ago (EFE).- A União de Nações Sul-americanas (Unasul) realiza amanhã, em Bariloche (Argentina), uma reunião especial para discutir o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, motivo de divergência na região e responsável por impedir um pronunciamento conjunto na cúpula passada.

O acordo para que os EUA utilizem até sete bases colombianas foi recebido com respeito, mas também com preocupação por Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, foi apoiado pelo Peru e enfrenta oposição firme de Venezuela, Equador e Bolívia.

Será a segunda reunião de chefes de Estado já feita em Bariloche, principal centro turístico de inverno na Argentina, 1.650 quilômetros ao sul de Buenos Aires, que já havia recebido a Cúpula Ibero-Americana de 1995.

A Unasul substituiu, em março de 2008, a Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), criada em 8 de dezembro de 2004 no Peru por todos os países da América do Sul.

Como organização supranacional e intergovernamental, baseada no modelo da União Europeia, a Unasul pretende se tornar uma zona de livre-comércio que uniria dois blocos já existentes: a Comunidade Andina de Nações (CAN) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A Declaração de Cuzco (Peru), acordada em 8 de dezembro de 2004 na 3ª Cúpula de Presidentes da América do Sul, foi a pedra fundamental da CSN, baseada no "entendimento político e na integração econômica e social dos povos da América do Sul".

A CSN realizou duas cúpulas, uma no Brasil, em 2005, e outra na Bolívia, em 2006.

Na reunião no Brasil foi declarado como objetivo político que a "associação recíproca dos Estados-membros do Mercosul e da CAN, assim como a associação de Suriname, Guiana e Chile, são essenciais para a conformação da CSN".

Já na cúpula de 2006, realizada em Cochabamba (Bolívia), foram estabelecidas como prioridades a superação das diferenças entre países, a integração energética para melhorar o aproveitamento dos recursos e o desenvolvimento de infraestruturas de transportes e telecomunicações para ligar povos.

Na chamada Cúpula Energética Sul-Americana, de 16 de abril de 2007 na Venezuela, os líderes sul-americanos aprovaram renomear a CSN e escolheram, então, a atual designação de União de Nações Sul-americanas.

Na ocasião, foi designada uma secretaria permanente com sede em Quito e encomendado aos chanceleres o projeto de Acordo Constitutivo da Unasul, aprovado na reunião de 23 maio de 2008.

As bases do tratado constitutivo da Unasul, aprovado em 23 de maio de 2008 em Brasília, preveem o processo de integração a partir do cumprimento de vários pontos.

São eles: concertação e coordenação política; acordo de livre-comércio; integração física, energética e em comunicações; harmonização de políticas em desenvolvimento rural e agroalimentar; cooperação em tecnologia, ciência, educação e cultura; integração entre empresas e sociedade civil.

Na reunião de Brasília, em 2008, os 12 países do bloco aprovaram o tratado constitutivo da Unasul, que passaria então a realizar cúpulas presidenciais anuais, reuniões ministeriais semestrais e contar com a secretaria permanente em Quito.

O tratado previa também a formação de um Parlamento Sul-americano e a criação de uma Presidência temporária, que atualmente é exercida pelo Equador, que recebeu a função das mãos do Chile na cúpula de 10 de agosto, em Quito.

A Unasul cobre 17,7 milhões de quilômetros quadrados, onde vivem mais de 386 milhões de pessoas. EFE do/rr

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