Unaids e PMA dizem que alimentação é tema esquecido na luta contra aids

Juan David Leal México, 7 ago (EFE) - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) disseram hoje que a alimentação é o grande tema esquecido na luta contra a aids, que, junto com a alta de preços e a escassez global de comida, agravará as conseqüências negativas da doença no mundo.

EFE |

No penúltimo dia da 17ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2008), inaugurada no domingo na Cidade do México, ambas as instituições apresentaram um estudo que revela que seriam necessários entre US$ 1,7 bilhão e US$ 2,7 bilhões em 2015 para cumprir os programas nutricionais para portadores do HIV no mundo.

O apoio nutricional chegará a 1,5 milhão de pessoas em tratamento com anti-retrovirais e a 18,8 milhões de órfãos e crianças vulneráveis.

Robin Jackson, conselheira especial do Unaids, explicou que atualmente custa apenas US$ 0,31 alimentar crianças órfãs e vulneráveis; US$ 0,70 uma pessoa desesperançada e sua família; US$ 0,71 uma mãe que tenta evitar transmitir o vírus ao filho, e US$ 0,71 alguém que vive com HIV e se trate com anti-retrovirais.

Estes custos, disse, foram calculados em 18 países e incluem três refeições diárias (com alimentos locais e importados), transporte, pessoal, custo de ONGs e armazenamento, e ainda levam em conta as recentes altas nos preços da gasolina e da comida.

"Os doadores nos dizem normalmente que se têm de pagar por alimentos, então não podem pagar os remédios, mas sabemos que precisamos de ambos", afirmou Jackson.

A conselheira manifestou que as projeções futuras mostram que de 2008 a 2015, o custo médio de um apoio alimentício para um adulto em tratamento e uma família de quatro pessoas aumentará para US$ 0,87, e o de uma criança afetada pela aids para US$ 0,37, uma alta "muito razoável".

O chefe de Serviços de Nutrição do PMA, Martin Bloem, explicou que, antes da atual crise mundial de alimentos, já havia no mundo 800 milhões de pessoas com fome.

Bloem alertou que com a situação atual as pessoas não estão recebendo as vitaminas e minerais necessários para que o sistema imunológico esteja em boas condições para enfrentar os tratamentos de HIV e tuberculose.

De fato, disse que uma pessoa com desnutrição e HIV tem seis vezes mais probabilidade de morrer que uma bem alimentada.

Por causa da inflação alimentícia, "as pessoas não estão em condições de comprar comida de boa qualidade nutritiva como ovos, peixe e frango", ressaltou.

"Vimos em outras crises alimentícias que as pessoas com anemia podem passar dos 20% para os 90%", como aconteceu na Indonésia após a crise econômica de 1998.

O funcionário se mostrou "extremamente preocupado".

Segundo ele, "não se vê na imprensa, nem se menciona nas publicações médicas especializadas" que os problemas de alimentação serão tão grandes nos próximos meses ou anos que haverá "um aumento de morbidade e mortalidade entre pessoas com HIV, inclusive as que recebem tratamento com remédios".

Neste sentido, afirmou que é necessário uma "colaboração mais estreita" entre os diferentes programas de ajuda internacional que incluam a nutrição, a aids e a tuberculose.

Já Alan Whiteside, diretor de Economia da Saúde e da Divisão de Pesquisa HIV/aids na Universidade de Kwazulu-Natal (província da África do Sul), disse que aos altos preços dos alimentos devem-se somar os efeitos da mudança climática.

"A produção de alimentos está se tornando menos segura, as secas são mais longas, as chuvas, quando chegam, o fazem com mais força e causam danos às plantações", assinalou.

Whiteside também alertou que a recente escalada de preços do petróleo afeta o transporte, o custo da energia e os sistemas de irrigação utilizados na agricultura, o que tem como efeito uma maior redução da oferta de alimentos. EFE jd/rb/db

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