Uma semana após tremor, drama das vítimas seguem comovendo chilenos

Uma semana depois do terremoto de 8,8 graus de magnitude e do tsunami que atingiu o Chile, bombeiros decidiram demolir um dos prédios mais novos da cidade de Concepción, para onde alguns moradores tinham se mudado poucos dias antes do desastre. Com os tremores do último sábado, o prédio de 15 andares e 113 apartamentos tombou para trás até cair, quase inteiro, no chão.

BBC Brasil |

Neste sábado, os bombeiros pediram silêncio aos que rodeavam o lugar, na última tentativa de ouvir a voz do único desaparecido no edifício, José Luis León, de 26 anos.

"Não há mais sinais de vida", disse o comandante dos bombeiros da cidade, Marcelo Plaza.

Outro bombeiro, Juan Carlos Subercaseaux, contou que antes que os tratores entrassem no local para a demolição total do edifício, a decisão foi comentada com os pais do rapaz. "Eles entenderam que não há mais chances de encontrá-lo vivo e que o edifício desmoronado coloca em risco os outros", disse.

No início, o pai do rapaz, José León, esperava encontrá-lo vivo. Mas após vários dias, afirmou: "O único que quero é levar o corpo do meu filho para casa".

Neste edifício, 79 pessoas foram resgatadas e sete morreram. Dois sobreviventes, que tinham estreado o apartamento três dias antes dos fortes tremores, disseram que ainda tentam entender como o edifício caiu inteiro de costas.

"Lembro que voei com a força do terremoto, que tudo voava e que minha namorada gritava meu nome, no escuro. Mas não tinha noção de que o prédio ia inteiro pro chão", disse o médico Ricardo Chandía, de 26 anos. Ele e Karen Golle, de 23 anos, estão entre os resgatados.

Dramas
A imagem do edifício e a angústia dos sobreviventes e do pai de José Luis estiveram entre algumas das tragédias que esta semana comoveram os chilenos.

Outras histórias dramáticas, provocadas pela catástrofe, continuam sendo reveladas, no momento em que autoridades do governo dizem que ainda há muitos corpos sem identificação nas regiões afetadas, como Maule e BioBio.

"Perdi minha filha, meu genro e meu neto", disse um homem, soluçando, em Concepción.

No balneário de Curanipe, outra família foi arrasada. "Perdi minha mulher, meu filho de 8 anos e cunhados. Só minha filha de 14 anos sobreviveu", afirmou Luis Herrera, que não estava com o grupo, quando o tsunami atingiu o lugar.

A adolescente, Consuelo Herrera Molina, se agarrou num galho na hora do maremoto e sobreviveu.

Já a mãe de uma das vítimas fatais das ondas gigantes na ilha de Robinson Crusoé, no arquipélago de Juan Fernández, responsabilizou a falta de alerta de tsunami pela morte da filha, Paula Ayerdi, de 28 anos. "Quando sentimos o terremoto aqui em Santiago, ligamos para Paula. Mas ela nos disse que não havia alerta e muito menos motivos para preocupação. Um pouco mais tarde as ondas a mataram", disse Ximena Retamales.

A cidade de Concepción, a segunda maior do Chile, foi a mais atingida pelo terremoto e ainda foi palco de saques coletivos contra supermercados e lojas.

Neste sábado, várias pessoas foram presas na cidade, com máquinas de lavar roupa, geladeiras e televisores, entre outros objetos que tinham levado pra casa.

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