Uma seleção heterogênea é concluída neste sábado no 61º Festival de Cannes

O filme israelense Valse avec Bachir ocupava boa posição na noite deste sábado para conquistar a Palma de Ouro do 61º Festival de Cannes marcado por uma seleção heterogênea, ela mesma reflexo do ano de 2008 no cinema mundial.

AFP |

O alemão Wim Wenders, laureado com a Palma de Ouro 1984 com "Paris Texas", esteve em La Croisette em companhia de Dennis Hopper, Giovanna Mezzogiorno, Milla Jovovich, e o cantor de punk rock alemão Campino, equipe de seu filme "Palermo shooting".

Este conto de visão filosófica põe em cena um fotógrafo obcecado pela morte, encarnado por Hopper - em seus sonhos, durante uma reportagem na Sicília.

Com sua imagem digital sofisticada, "Palermo shooting" faz pensar em um spot publicitário, um sentimento reforçado pela insistência do cineasta em fazer parecer assim.

O último dos 22 filmes em competição a ser apresentado foi "Entre les murs", Entre paredes, numa tradução literal, do francês Laurent Cantet, calorosamente acolhido pelos críticos.

Meio documentário, meio ficção, inspirado no livro de François Bégaudeau, explora o cotidiano de um colégio parisiense onde um professor de francês - Bégaudeau - ensina uma língua muito diferente da que seus alunos falam diariamente.

"Entre les murs" mostra a escola "não como deveria ser mas como é no cotidiano", diz o autor.

Neste sábado, o original "Valse avec Bachir" no qual Ari Folman põe em imagens de animação a primeira guerra no Líbano, é citado como o favorito para a Palma a ser entregue domingo.

Na abertura do Festival, o próprio presidente do júri Sean Penn afirmou querer recompensar um cineasta "muito consciente do mundo", reforçando a opinião numa entrevista concedida à edição deste domingo do jornal Le Monde.

"Perceber o que permanecerá indelével" é, segundo o ator-realizador americano "a melhor maneira de ser honesto".

Para Sean Penn, Cannes 2008 representa uma "muito boa colheita".

No entanto, após uma 60a edição marcada pelas exceções, misturando revelações (Marjane Satrapi, Cristian Mungiu, Julian Schnabel) e grandes autores americanos muito em forma - Van Sant, Gray, Fincher, os irmãos Coen, Tarantino - esta agora se apresenta, na opinião dos críticos, mais heterogênea.

Uma boa parte dos filmes foram marcados pela sedução: principalmente os assinados pelos americanos Clint Eastwood e Steven Soderbergh, o turco Nuri Bilge Ceylan, o francês Arnaud Desplechin, o argentino Pablo Trapero ou ainda os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas.

Ausente em 2007, em crise há anos, o cinema italiano em particular bateu forte com "Gomorra" no qual Matteo Garrone põe a nu uma sociedade gangrenada pela máfia e "Il Divo" de Paolo Sorrentino, panfleto sobre a casta política da península.

Três títulos apagaram o fogo da crítica com um punhado de defensores encarniçados: "Blindness", Ensaio sobre a Cegueira, do brasileiro Fernando Meirelles, adaptação considerada desajeitada de um romance de José Saramago, o experimental "Serbis" de Brillante Mendoza, taxado de "voyeurisme" provocadour e "La frontière de l'aube" de um Philippe Garrel congelado em suas referências à Nouvelle vague.

De qualquer forma, em Cannes o processo de seleção foi muito "difícil", advertiu o delegado geral Thierry Frémaux.

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