Uma pessoa morre em confronto no funeral de padre haitiano

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Pessoas que acompanhavam o funeral de um padre popular na capital haitiana na quinta-feira entraram em choque com tropas da ONU, e um manifestante foi morto por um tiro atribuído por testemunhas às forças de manutenção da paz.

Reuters |

Milhares de pessoas se reuniram na Catedral de Porto Príncipe e em volta dela para prestar seus últimos respeitos ao padre católico Gerard Jean-Juste, defensor dos pobres haitianos que morreu de acidente vascular cerebral em Miami, em 27 de maio, aos 62 anos.

Depois do funeral, pessoas que acompanharam a cerimônia e partidários do ex-presidente deposto Jean-Bertrand Aristide, ex-padre de quem Jean-Juste foi aliado estreito, foram às ruas em protesto.

Algumas pessoas acusaram o governo do ex-primeiro-ministro interino Gerard Latortue de causar a morte de Jean-Juste ao encarcerá-lo em 2005 por acusações que posteriormente provaram ser falsas. Jean-Juste adoeceu de leucemia enquanto estava na prisão.

Várias testemunhas disseram que tropas da ONU atiraram num jovem manifestante, matando-o, quando o comboio se preparava para deixar Porto Príncipe para enterrar Jean-Juste em sua cidade natal, Cavaillon.

"Vi vários soldados da ONU disparando tiros e imediatamente depois vi o homem deitado no chão", disse à Reuters Jean Mathieu, que disse que estava ao lado. "Não vi mais ninguém dando tiros. Tenho certeza que foram os soldados da ONU que atiraram no manifestante."

Uma porta-voz da missão da ONU no Haiti, Sophie Boutaud De La Combe, confirmou que soldados da ONU dispararam tiros para o alto para deter manifestantes que atiravam pedras contra eles, mas não descartou a possibilidade de tiros disparados pelos soldados poderem ter atingido a vítima.

"Podemos confirmar que nossos soldados dispararam no ar cerca de cinco vezes", disse De La Combe. "Mas apenas um exame de balística poderá confirmar se a vítima foi morta por balas disparados por tropas da ONU."

Os manifestantes tiraram o corpo da vítima do local e planejaram deitá-lo diante do palácio presidencial, mas uma ambulância da polícia interveio para levar o corpo ao necrotério.

Muitos manifestantes acusaram o ex-governo de Latortue de prender Jean-Juste em 2005 para impedi-lo de candidatar-se à Presidência.

"Latortue e seu governo deveriam ser julgados pela morte de Jean-Juste", disse Maurice Legrand, manifestante de 38 anos. "Quando você encarcera uma pessoa por razões políticas e o impede de ter atendimento médico, você é criminoso."

Latortue, que hoje vive na Flórida, não pôde ser contatado para dar declarações.

Seu governo chegou ao poder em março de 2004, um mês depois de Aristide ter sido deposto numa rebelião violenta. Tropas da ONU foram enviadas ao país para restaurar a estabilidade, e 9.000 soldados da ONU continuam até hoje no Haiti, país caribenho profundamente empobrecido e que no ano passado foi devastado por tempestades e inundações.

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