Um novo tipo de lente capaz de captar a luz de um hemisfério com uma abertura angular de quase 180 graus permitirá desenvolver novos sistemas ópticos ou de detecção, segundo estudo difundido neste domingo pela revista Nature Materials.

As lentes ópticas tradicionais só funcionam como cristais de aumento com a luz proveniente de uma única direção. Mas esta limitação pode ser superada graças aos materiais artificiais ou "metamateriais" que permitem novas possibilidades de propagação das ondas luminosas, explica o estudo.

Esta lente criada por Nathan Kundtz e David Smith (Universidade Duke, Durham, Estados Unidos) pode captar luz em um ângulo de quase 180 graus e projetá-la sobre uma superfície plana. Montada em um aparelho fotográfico, permitirá a transmissão da imagem de um hemisfério completo em uma única tomada, resume a Nature Materials.

A novidade desta leste é que ela não é feita com um material transparente polido, como o vidro ou o plástico, e se parece mais com uma "persiana veneziana em miniatura", explica a universidade em seu informe.

O protótipo da lente, de uma superfície de 10 cm por 12,5 e uma espessura de 2 cm, está constituído por mais de mil peças de um material em fibra de vidro, cuja precisa disposição em linhas paralelas permite guiar os raios de luz.

"Durante centenas de anos, os fabricantes de lentes poliram as superfície de um material uniforme para dirigir os raios luminosos que as atravessam", explica Kundtz. "Ao invés de utilizar as superfícies das lentes para controlar os raios, estudamos a forma de modificar o material entre as superfícies ", acrescenta.

"Se pudermos controlar o volume da lente, ganharemos muito mais liberdade e será possível fabricá-la de maneira que responda a necessidades específicas", assegura o estudo.

Testada até agora com micro-ondas, a nova lente também pode ser adaptada para a luz infravermelha ou visível.

ah/cn

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