Um gigantesco dispositivo de segurança foi mobilizado em Denver, cidade onde milhares de americanos chegam para apoiar ou criticar o início da convenção do Partido Democrata; o candidato presidencial Barack Obama falará quinta-feira no estádio Invesco Field at Mile High para 75.000 pessoas.

Num país que ainda não se recompôs dos atentados de 11 de setembro de 2001 e onde ainda persiste o fantasma dos assassinatos políticos, como o de John F. Kennedy em novembro de 1963, as autoridades puseram em vigor para esta convenção medidas reforçadas de segurança, denunciadas como draconianas e maliciosas pelos ativistas.

O serviço secreto, uma agência federal dirigida pelo Congresso para garantir a segurança dos líderes nacionais e dos dignitários estrangeiros, coordena estas medidas em colaboração com 55 agências governamentais, entre elas o FBI e a CIA.

Entre 3.000 e 5.000 policiais vão patrulhar as ruas de Denver, cidade a 1.600 metros de altura nas montanhas Rochosas do Colorado (oeste) que soma, com os arredores, dois milhões de habitantes.

Aos delegados, membros do partido, seguidores e manifestantes, se acrescentará uma plêiade de estrelas de Hollywood, em geral mais próximas dos democratas que de seus adversários do Partido Republicano do presidente George W. Bush.

O candidato democrata recebeu a proteção do serviço secreto desde muito cedo na campanha e agora decidiu, para desespero da segurança, romper com a tradição e pronunciar seu discurso oficial de investidura num estádio aberto.

"É uma decisão de última hora e um desafio" para nós, admitiu Malcom Wiley, porta-voz do serviço secreto.

Grupos de manifestantes queixam-se pela cerca com alambrado duplo e base de concreto colocada nos arredores do "Pepsi Center", onde se desenvolverá a maior parte do congresso democrata, o que representará um empecilho a um protesto aberto contra os participantes.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), o maior grupo americano de defesa dos direitos individuais, tentou sem sucesso uma demanda pelo dispositivo de segurança em excesso, mas uma corte de Denver determinou que as medidas não violam a livre expressão dos manifestantes.

"As medidas do serviço secreto do governo federal e da cidade de Denver interferem como nunca antes com o direito à liberdade de expressão", insistiu a ativista Debra Sweet, diretora do grupo "World can't wait" (o mundo não pode esperar).

jkb/gl/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.