Uma centena de pessoas, entre elas várias figuras do campo reformista, estão diante de um tribunal de Teerã neste sábado, acusadas de participar das manifestações contra a questionada reeleição do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, informou a agência iraniana Fars.

Importantes personalidades reformistas - incluindo o vice do ex-presidente Mohamad Khatami e militantes que apoiaram os líderes da oposição Mir Hussein Musavi e Mehdi Karubi - figuram entre os acusados que comparecem ao tribunal revolucionário neste sábado, indicou a agência.

Os reformistas julgados fazem parte de diferentes grupos da oposição. Muitos ocuparam cargos públicos durante a gestão do presidente Khatami, que ficou no poder entre 1997 e 2005.

É o caso, por exemplo, de Behzad Nabavi, porta-voz adjunto do Parlamento durante este período; ou de Mohamad Ali Abtahi, ex-vice-presidente encarregado de assuntos parlamentares; e de Abdullah Ramezanzadeh, ex-porta-voz do governo.

A agência oficial IRNA, que cita fontes judiciais, informou que entre os acusados há também pessoas que foram fotografadas quando "cometiam crimes".

Segundo a imprensa iraniana, estas pessoas "participaram dos distúrbios e são acusadas de ter atuado contra a segurança nacional, perturbado a ordem pública e cometido atos de vandalismo".

Cerca de 2.000 pessoas foram presas nas manifestações que denunciaram fraude nas eleições presidenciais do dia 12 de junho, que terminaram com a vitória de Ahmadinejad. A violenta repressão do governo contra os protestos, os maiores organizados no país desde a Revolução Islâmica de 1979, deixaram pelo menos 30 mortos.

A maioria das pessoas presas foi libertada, mas aproximadamente 250 permanecem detidas e aguardam julgamento.

A oposição é liderada pelo ex-premier Mir Hussein Musavi, que se candidatou à presidência e afirma que Ahmadinejad só se reelegeu graças a uma enorme fraude eleitoral.

hif/ap

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