Um terço da população mais pobre do mundo é composto por indígenas, revela ONU

Os povos indígenas representam um terço da população mais pobre do mundo, segundo uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgada nesta quinta-feira. De acordo com o levantamento, existem atualmente no mundo cerca de 370 milhões de indígenas espalhados por 90 países vivendo com taxas desproporcionais de miséria, problemas de saúde, analfabetismo e abusos dos direitos humanos.

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

A publicação da ONU foi o primeiro relatório feito exclusivamente sobre as condições de vida desses povos e ilustram a gravidade da situação tanto em países desenvolvidos como em nações em desenvolvimento. No total, os 370 milhões de indígenas existentes no mundo ocupam cerca de 20% do território do planeta.

O relatório é mais um passo para tornar o tema das questões indígenas cada vez mais central. Há alguns anos não havia um debate sobre essas questões, avaliou Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil.

Segundo a pesquisa, na América Latina, as taxas de pobreza dos indígenas estão muito acima das taxas referentes ao resto da população em vários países, sendo 7,9 vezes maior no Paraguai, 5,9 no Panamá e 1,2 no Brasil. Dados do IBGE, mostram que aproximadamente 1 milhão de indígenas vive no País, distribuídos em 230 povos, ocupando 14% do território nacional.

O relatório da ONU aponta ainda estatísticas alarmantes na área da saúde. A expectativa de vida dos indígenas é 20 anos menor do que a média, mais de 50% da população adulta acima de 35 anos têm diabetes tipo 2 e  a mortalidade infantil ainda é de 70% na América Latina.

As taxas de suicídio, principalmente entre os jovens também chamam a atenção. No Brasil, os índices de suicídio na tribo dos Guaranis era 19 vezes maior entre 2000 e 2005 do que a taxa nacional. De acordo com a ONU, esse tipo problema é mais acentuado em áreas urbanas, onde os indígenas são destacados de suas comunidades e culturas e quase nunca são totalmente integrados à comunidade dominante.

Para Marcos Terena, membro da Cátedra Indígena Itinerante, a situação mais crítica para os índios brasileiros está no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o caso, no entanto, ainda não é tratado como prioridade pelo governo.

As mortes ainda são tratadas como questões secundárias. O governo ainda precisa aprender a dialogar com o povo indígena. O povo indígena, por sua vez, precisa aprender a participar das mesas de debate, finalizou.

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