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Um só Governo para dois eleitos

Jerusalém, 11 fev (EFE).- A centrista Tzipi Livni e o conservador Benjamin Netanyahu começaram hoje seus contatos para tentar formar o Governo em Israel após a pequena vantagem da primeira na eleição de ontem, uma disputa com a direita ultranacionalista como provável árbitro.

EFE |

Israel amanheceu em um limbo político, refletido nas conversas da rua e nos comentários da imprensa, que destacam a confusão do eleitorado e a sensação de que tudo é possível e que a balança pode pender para um lado ou para o outro -ou até para os dois ao mesmo tempo.

Com 99% dos votos apurados, o partido centrista Kadima, liderado pela ministra de Relações Exteriores Livni se coloca em primeiro lugar, com 28 cadeiras, das 120 que compõem o Parlamento israelense (Knesset), seguido pelo direitista Likud de Netanyahu, com 27, apenas uma a menos.

O complexo sistema parlamentar de Israel obriga os candidatos a primeiro-ministro a formarem coalizões com outros partidos, o que e, princípio beneficiaria Netanyahu, que poderia desfrutar de uma maioria mais estável, comparado ao Kadima.

Aliado aos partidos de seu entorno ideológico, o líder do Likud pode formar uma coalizão de até 65 deputados, enquanto Livni reuniria no máximo 55, e isso se incluir 11 deputados árabes, que.

poucas horas após conhecerem os resultados. já haviam lhe negado apoio.

Netanyahu reuniu-se hoje com Eli Yishai, dirigente do partido judeu ortodoxo sefardita Shas, que obteve 11 deputados, para analisar a possibilidade de eles se somarem a uma eventual coalizão de Governo, informou a rádio pública israelense.

Por sua vez, Livni também não perdeu tempo e reuniu-se com Avigdor Lieberman, líder do terceiro partido mais votado no pleito de ontem com 15 cadeiras, o direitista e ultranacionalista Yisrael Beiteinu (Israel é a Nossa Casa), após encontrar o dirigente do bloco pacifista Meretz, Jaim Oron, que só conseguiu três vagas.

O partido de Lieberman, que despertou a simpatia de importantes setores da população com uma mensagem direta e propostas como fazer um "teste de lealdade" aos cidadãos árabe do país, também fez uma reunião interna para estudar qual dos candidatos é mais apropriado para eles se unirem.

Em meio aos contatos iniciais, o Partido Trabalhista, liderado pelo atual ministro da Defesa e ex-premeiro-ministro Ehud Barak, anunciou sua intenção de fazer parte da oposição e não integrar nenhuma coalizão de Governo, após sofrer a derrota mais desanimadora de sua história.

Já sem o presidente e prêmio Nobel da Paz de 1994 Shimon Peres, que deixou o partido em dezembro de 2005, os trabalhistas obtiveram apenas 13 deputados, ficando em um mero quarto lugar na votação.

Integrantes do partido Kadima descartaram a possibilidade de ele se aliar ao Likud para formar uma coalizão de Governo, o que incluiria um Executivo com liderança rotativa entre Livni e Netanyahu -por exemplo, cada um governando por dois anos dos quatro da legislatura-, uma opção que alguns analistas haviam apontado.

Analistas políticos acham que Netanyahu está em melhor posição que Livni para formar uma coalizão de Governo, inclusive sem o Kadima nem o Yisrael Beiteinu.

Diante a incerteza dos israelenses de não saber com certeza quem será seu futuro primeiro-ministro não faltaram alfinetadas de humor.

O programa de paródias líder de audiência em Israel, denominado "País Maravilhoso", já apontava a situação de bicefalia momentânea ontem à noite, quando dois de seus humoristas imitando Livni e Netanyahu apareciam de forma simultânea em discurso de vitória no qual se proclamavam vencedores até que Lieberman aparecia com a intenção de instaurar uma ditadura. EFE db/jp

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