Um mês após tremor na China, pais ainda buscam corpos e respostas

Um mês após o terremoto que deixou ao menos 87 mil mortos na China, pais que perderam seus filhos ainda buscam por corpos e respostas. Milhares de crianças estão entre as vítimas da tragédia que devastou a província de Sichuan no dia 12 de maio.

BBC Brasil |

Famílias das vítimas exigem do governo uma justificativa para o desabamento de diversas escolas, enquanto outros prédios públicos não desmoronaram com o tremor.

Muitos acreditam que a causa está na má qualidade das construções e irregularidades na administração de verbas. Segundo dados oficiais, 6.898 escolas desmoronaram.

Censura
Revoltados, muitos pais tentam driblar barreiras policias para realizar protestos em meio aos escombros das escolas.

Na manhã desta quinta-feira, os policiais isolaram uma área onde ficava uma escola na cidade de Dujiangvan, impedindo que os pais se aproximassem.

Segundo o correspondente da BBC, James Reynolds, a mídia chinesa foi instruída a não cobrir o evento e, sabendo disso, ele e alguns colegas se dirigiram ao local.

"Um dos meus colegas saiu do carro e se aproximou de um grupo de pais reunidos perto dos policiais", conta Reynolds.

"Poucos minutos depois ele foi levado para um prédio do governo onde outros cinco jornalistas estavam detidos."
Ainda segundo o correspondente, os policiais disseram que se tratava de uma medida de segurança temporária e que os jornalistas deveriam ser banidos da cidade.

"Isto não é censura", um deles insistiu.

Na quarta-feira, o governo da China disse que está adotando uma "política de liberdade de imprensa" depois que repórteres de agências internacionais foram impedidos de visitar um vilarejo onde pais protestavam.

"Jornalistas estrangeiros são bem-vindos nas regiões afetadas pelo terremoto de Sichuan para cobrir os esforços de alívio, assentamento e reconstrução", afirmou Wang Guoqing, vice-diretor do departamento de informação do Conselho de Estado.

Tofu
Em entrevista ao jornal South China Morning Post, de Hong Kong, alguns pais disseram acreditar que os prédios teriam sido construídos com materiais abaixo dos padrões de qualidade por causa de "interesses corruptos por parte dos governos locais".

Eles dizem que as autoridades teriam economizado nas construções das escolas para embolsar parte do orçamento e que má qualidade do concreto é evidente porque "se esfarela nas mãos".

Alguns pais apelidaram as escolas de "construções tofu", numa referência ao queijo de soja típico da culinária asiática, que se parte facilmente.

O governo da China prometeu investigar e punir qualquer descaso comprovado nas construções e anunciou que os casais que perderam os filhos estarão livres da rigorosa lei de controle de natalidade que só permite um filho.

Esses casais estão autorizados a ter novos bebês e os que passaram por cirurgias como vasectomia e ligadura de trompas poderão fazer uma nova intervenção para retomar a fertilidade.

Cinco milhões de pessoas perderam suas casas e autoridades estimam que o trabalho de reconstrução levará pelo menos três anos.

O governo da China não planejou nenhum ato público de luto para marcar um mês da tragédia.

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