Um mês após golpe, protestos pró-Zelaya continuam em Honduras

Tegucigalpa, 28 jul (EFE).- O golpe de Estado em Honduras completou hoje um mês com o presidente deposto Manuel Zelaya tentando retornar para recuperar o poder, agora pela fronteira com a Nicarágua, embora seja esperado por policiais e militares para detê-lo.

EFE |

Porém Zelaya, que se encontra desde a semana passada em Ocotal, na Nicarágua, recebeu hoje duas boas notícias, a primeira delas a suspensão de vistos americanos a quatro funcionários do Governo Roberto Micheletti.

A outra foi a autorização do atual presidente hondurenho para que a família do líder deposto, que estava retida a caminho da fronteira, possa viajar a Honduras pela estrada.

Dois dos implicados na suspensão dos vistos, anunciada em Washington, são o juiz Tomás Arita, que ordenou aos militares a detenção de Zelaya no dia do golpe de Estado, e o presidente do Parlamento, Alfredo Saavedra.

O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, disse hoje que respeita a decisão dos EUA de suspender os vistos a quatro de seus funcionários.

O Governo insiste que se Zelaya retornar será detido, porque segue vigente uma ordem de captura por crimes cometidos em relação com uma consulta que aconteceria no fim de junho, para promover uma Assembleia Constituinte.

Os militares expulsaram Zelaya para a Costa Rica e pouco depois o Parlamento designou para seu lugar Micheletti, até então chefe do Parlamento, cargo para o qual no mesmo dia foi nomeado Saavedra.

Ao cumprir-se hoje um mês de sua derrubada, um grupo de seguidores do presidente deposto, reunidos na chamada Frente Nacional Contra o Golpe de Estado, realizou uma nova manifestação em Tegucigalpa, onde as mobilizações foram contínuas desde a eclosão da crise.

O principal protesto de hoje na capital hondurenha foi diante do principal centro comercial da cidade e de um luxuoso hotel de uma cadeia internacional, ambos separados por duas ruas.

Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra "os golpistas" que assumiram o poder após a derrubada de Zelaya.

Rafael Alegria, dirigente camponês e um dos membros do movimento que exige a restituição de Zelaya no poder, expressou à Agência Efe que "um mês depois do golpe a luta segue" e que "os golpistas devem sair do poder".

"Aqui ninguém se rende", disse Alegria, enquanto os manifestantes queimavam pneus e cantavam palavras de ordem a favor de Zelaya.

Os manifestantes também mostraram duras mensagens contra o Governo Micheletti.

Os hondurenhos cumprem hoje um mês praticamente com dois presidentes, Zelaya no exílio e Micheletti à frente do poder, embora sem reconhecimento internacional.

Em cumprimento de uma ordem judicial, as forças de segurança permitiram hoje que a família de Zelaya, liderada por sua mulher, Xiomara Castro, e sua mãe, Hortênsia Rosales, pudesse viajar para a Nicarágua pela estrada, após ficar vários dias parada em um reserva a cerca de 15 quilômetros da fronteira.

Embora, segundo a Polícia e testemunhas, sejam poucos, os seguidores do presidente deposto que também estiveram retidos vários dias poderão deixar a reserva.

A Polícia e os militares estão facilitando transporte para que os simpatizantes de Zelaya - alguns dos quais se retiraram por cansaço - retornem a seus locais de origem.

O Governo Micheletti mantém a zona de fronteira com a Nicarágua sob toque de recolher permanente desde a sexta-feira, quando Zelaya cruzou brevemente a fronteira da Nicarágua e, após estar por duas horas na zona neutra, retornou ao país vizinho.

Essa foi a segunda tentativa de Zelaya de voltar a Honduras, já que em 5 de junho tentou aterrissar em um avião venezuelano no aeroporto de Tegucigalpa, mas os militares o impediram colocando obstáculos na pista.

Junto aos colaboradores e seguidores que conseguiram deixar Honduras, o presidente organiza da Nicarágua o que chamada de "resistência" contra o Governo Micheletti. EFE lam/rr

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