Um hotel praticamente liberado em Mumbai e sete reféns resgatados

A polícia indiana e comandos militares estão a um passo de concluir a operação de busca de todos os militantes islâmicos encurralados no hotel Taj Mahal, em Mumbai, onde agora há apenas um terrorista, que está ferido.

AFP |

A operação faz parte da ofensiva lançada nesta quinta-feira por forças indianas contra os terroristas islâmicos, que mataram, segundo a polícia, 125 pessoas e feriram cerca de 300 em uma mortífera série de ataques na noite de quarta-feira na capital econômica da Índia.

Dez estrangeiros estão entre os mortos, entre eles um japonês, um australiano, um britânico, um italiano e um alemão.

Sete reféns teriam também sido resgatados de um complexo hoteleiro e empresarial em Mumbai, que abriga um centro judaico atacado pelos terroristas islâmicos, informou um oficial indiano nesta quinta-feira.

"Há apenas um terrorista no hotel Taj Mahal (...), e ele foi ferido. Acredito que devemos concluir a operação rapidamente", indicou ao canal de televisão NDTV o general J.K. Dutt, diretor-geral da Guarda Nacional indiana.

"A situação está totalmente sob nosso controle. Tenho plena certeza de que alcançaremos nossos objetivos", acrescentou.

Oficiais das forças de segurança haviam informado previamente que todos os terroristas que ocupavam o hotel Taj Mahal estavam mortos.

Segundo as autoridades, comandos militares ainda vasculham o hotel Oberoi/Trident, próximo ao Taj Mahal, onde vários hóspedes - entre eles, estrangeiros - permanecem em seus quartos ou mantidos reféns pelos militantes islâmicos.

De acordo com Dutt, dois terroristas ainda permaneciam no oitavo andar do hotel.

As forças de segurança também patrulhavam uma terceira área, o complexo residencial e empresarial Nariman House, onde acredita-se que homens armados ainda estejam escondidos.

Há informações confusas a respeito do número de reféns ainda em poder dos terroristas, já que muitas pessoas podem estar simplesmente escondidas em seus quartos esperando pelo fim do conflito.

Segundo o comando militar indiano, os homens armados que cometeram os atentados vêm do Paquistão. "Eles vêm do outro lado da fronteira, talvez de Faridkot, no Paquistão. Tentaram demonstrar que eram de Hyderabad", uma cidade do sul da Índia, declarou à imprensa o general R.K. Hooda, que conduz a operação armada contre os islamitas entrincheirados em dois hotéis de luxo de Mumbai.

O ministro paquistanês da Defesa, Ahmed Mukhtar, no entanto, afirmou taxativamente à AFP que o Paquistão não está envolvido de nenhuma maneira nesses ataques. Mukhtar falou sobre o assunto numa entrevista por telefone.

Além disso, dois navios mercantes paquistaneses foram apresados em frente ao litoral indiano, em seguida aos ataques terroristas cometidos em Mumbai, anunciou nesta quinta-feira a agência de notícias indiana PTI, citando fontes do ministério do Interior.

As embarcações estavam fundeadas no estado indiano de Gujarat, ao norte de Mumbai.

A marinha indiana suspeita de que os autores dos ataques terroristas tenham chegado à cidade numa lancha rápida proveniente de um navio.

Tiros e explosões foram ouvidos ao longo do dia nos arredores dos dois hotéis. Um incêndio se declarou no Oberoi, onde ainda estão bloqueadas quase 200 pessoas, entre elas 15 membros de uma tripulação da Air France, sete tripulantes da South African Airways e 10 a 20 israelenses, talvez mais, segundo a embaixada de Israel em Nova Delhi.

A metrópole do oeste da Índia, centro financeiro da décima potência econômica mundial, foi palco na noite de quarta-feira de uma série de ataques perpetrada por homens armados com fuzis de assalto e granadas contra, além dos dois hotéis, outros oito alvos, entre os quais a estação central e um hospital.

Um complexo de apartamentos e escritórios abrigando um centro judeu, o Nariman House, também foi atacado, e várias pessoas, entre elas um rabino e sua esposa, permaneciam em poder dos terroristas na tarde desta quinta-feira.

Testemunhas relataram que os agressores se focalizaram nos britânicos e nos americanos. Um cliente britânico do Taj Mahal, Rakesh Patel, contou à televisão que os agressores eram "muito jovens, como crianças". "Eles disseram que queriam todos os detentores de passaportes britânicos e americanos", declarou.

Os atentados foram reivindicados por um grupo islâmico desconhecido que se identificou como Deccan Mujaheddins, do nome da planície que cobre parte do centro e do sul da Índia.

Um dos combatentes entrincheirados no Oberoi/Trident afirmou por telefone à televisão indiana que o grupo exige o fim das "perseguições" contra os muçulmanos na Índia e a libertação dos islâmicos presos neste país.

Esta é a terceira série de ataques reivindicados por islâmicos indianos, A primeira deixou 24 mortos em 13 de setembro em Nova Delhi, e a segunda 80 mortos em 30 de outubro no estado de Assam (nordeste da Índia).

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