Um dia de ira convocado pelo Hamas em meio à ofensiva israelense em Gaza

O Hamas conclamou os palestinos a um dia de ira nesta sexta-feira contra Israel, no sétimo dia da ofensiva contra a Faixa de Gaza, que já fez mais de 420 mortos.

AFP |

As forças de segurança israelenses amanheceram em estado de prontidão para enfrentar possíveis distúrbios durante manifestações palestinas que já começaram em algumas cidades como Ramallah (Cisjordânia), depois das orações da sexta-feira.

O fechamento da Cisjordânia foi reforçado e numerosos policiais e guardas de fronteira percorriam a cidade velha de Jerusalém, onde fica a Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar santo do Islã.

A polícia israelense limitou o acesso à esplanada a homens com mais de 50 anos originários de Jerusalém Oriental ou de cidades árabes de Israel. Os moradores da Cisjordânia tiveram proibida a entrada em Jerusalém.

O exército israelense lançou, além disso, nesta sexta-feira, milhares de folhetos de propaganda sobre a Faixa de Gaza para incitar a população palestina a denunciar a localização dos combatentes do Hamas, informaram testemunhas. No documento figura um número de telefone e um e-mail.

Já o apelo do Hamas a um "dia de ira" responde à morte na quinta-feira, na Faixa de Gaza, de um de seus líderes, Nizar Rayan, de 51 anos, num bombardeio que também matou suas quatro esposas e onze filhos.

O exército israelense dizia que o Hamas utilizava a casa de Rayan como depósito de armas e centro de comunicações.

Desde ontem, as televisões árabes e as do Hamas mostram sem intervalos as imagens de corpos carbonizados de crianças retirados dos escombros de suas casas.

"Que o inimigo covarde saiba que o assassinato chama mais assassinato e que se arrependerá destes crimes contra nosso povo", afirmou um porta-voz do Hamas, Ismail Radwane, em comunicado.

"Depois do último crime (a morte de Rayan) todas as opções estão abertas para contra-atacar esta agressão, mesmo as operações dos mártires (os atentados suicidas) contra objetivos sionistas em todas as partes", acrescentou.

O chefe do grupo parlamentar do Hamas, Mushir al Masri, qualificou por sua vez a eliminação de Rayan de um fato "muito grave", ameaçando Israel de "réplica dolorosa".

Pela manhã, a aviação e os navios de guerra israelenses deram continuidade a ataques na Faixa de Gaza, segundo testemunhas. Um deles teve como objetivo uma casa em Jabaliya (norte), que deixou dois mortos e vários feridos.

À noite, mais bombardeios deixaram vários feridos. Um porta-voz do exército israelense indicou que os ataques da noite tinham 15 alvos, entre eles lança-foguetes e depósitos de armas.

Segundo o chefe do serviço de atendimento de urgência de Gaza, Muawiya Hassanein, pelo menos 422 palestinos morreram e 2.200 ficaram feridos desde o início da operação "Chumbo grosso".

Centenas de cidadãos estrangeiros fugiam nesta sexta-feira dos bombardeios à Faixa de Gaza através do terminal de Erez, em Israel, no sétimo dia da ofensiva, precisou um porta-voz militar.

"O terminal foi especialmente reaberto para permiti-los sair", precisou.

Erez estava fechado desde o início das operações, no sábado, reabrindo de vez em quando para permitir a passagem de número limitado de feridos civis palestinos levados a hospitais israelenses.

Um funcionário do ministério da Defesa havia anunciado antes que cerca de 400 pessoas que possuíam dupla nacionalidade seriam autorizadas a deixar Gaza nesta sexta-feira, a maioria de origem russa; mas há ainda os que têm passaportes de Estados Unidos, Noruega, Turquia, Ucrânia e Belarus principalmente.

As saídas dos estrangeiros acontece num momento em que estão sendo concluídos os preparativos para uma possível ofensiva terrestre em Gaza.

O exército israelense ainda proibia na manhã desta sexta-feira a passagem de jornalistas estrangeiros em direção à Faixa de Gaza.

Enquanto isso, apesar dos bombardeios israelenses, os lançamentos de foguetes sobre o território israelense não param e alcançaram pela primeira vez a cidade de Beersheva a 40 km da Faixa de Gaza; 360 projetis foram disparados desde 27 de dezembro, segundo Israel, causando quatro mortos, entre eles um soldado, e 12 feridos.

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