Um dia após golpe, capital do Níger retoma atividades

Niamey, 19 fev (EFE).- A capital do Níger, Niamey, amanheceu hoje de forma calma após o golpe de Estado de quinta-feira, mesmo com as fronteiras do país fechadas, as garantias constitucionais suspensas e algumas unidades militares patrulhando as ruas da cidade, onde o comércio retomou suas atividades.

EFE |

Apesar de as portas de cada quartel continuarem guardadas por veículos blindados do Exército, as repartições públicas e as escolas abriram nesta manhã com normalidade e, da mesma forma, a circulação de veículos voltou ao seu ritmo habitual.

O autodenominado Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CSRD), formado por um grupo de oficiais que lideraram a tomada do Palácio Presidencial, decretou de madrugada o toque de recolher entre 18h e 6h, a dissolução das instituições do Estado e o fechamento das fronteiras aéreas e terrestres do país.

O presidente derrubado Mamadou Tandja continua retido junto com vários membros do Governo em um quartel dos arredores da capital.

Segundo um comunicado dos golpistas divulgado pela rádio e pela televisão estatais, a junta militar que assumiu o comando do país nomeou como presidente do CSRD o comandante Salou Djibo, responsável por uma das principais divisões militares de Niamey.

O porta-voz da junta, o coronel Goukoye Abdul Karimou, fez na televisão um pedido de calma e afirmou que "as forças de segurança e de defesa decidiram assumir a responsabilidade de pôr fim à situação de tensões políticas" vivida pelo país.

Os golpistas pediram aos nigerinos para que apoiem o levante, mas não anunciaram quanto tempo pretendem ficar no poder.

Os militares atacaram o Palácio Presidencial de Niamey na quinta-feira no momento de um Conselho de Ministros com a presença do chefe do Estado.

As rajadas de metralhadora e disparos de armamento pesado se sucederam durante quase três horas em torno do Palácio Presidencial.

Ainda não há um número oficial de vítimas.

O Níger vivia há meses um clima de grande instabilidade política após a decisão de Tandja de ampliar seu mandato presidencial além dos dois mandatos de cinco anos cada estabelecidos pela Constituição do país.

O presidente dissolveu o Parlamento, que se opôs a suas intenções, e destituiu os membros da Corte Constitucional, que declararam a reforma da Carta Magna como ilegal.

Em agosto, Tandja convocou um plebiscito para aprovar a modificação constitucional. A medida e venceu por grande maioria em meio a acusações de fraude e de golpe de Estado disfarçado por parte dos partidos de oposição.

O Níger é um dos países mais pobres do mundo e com piores índices de desenvolvimento humano. No entanto, dispõe de grandes reservas de urânio no norte do país, exploradas principalmente pela gigante nuclear francesa Areva. EFE io-jg/bba

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