Um de cada cinco adultos não possui motivos para celebrar o Dia do Livro

Catalina Guerrero Redação central, 23 abr (EFE).- O Dia Internacional do Livro, comemorado hoje, não tem significado para uma parte importante da população mundial que desconhece o prazer da leitura pela simples razão de nunca ter tido a oportunidade de aprender a ler.

EFE |

Um em cada cinco adultos no mundo - e uma em cada quatro mulheres - são analfabetos, segundo os dados da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (Unesco) em seu último Relatório de Acompanhamento global de Educação para Todos (EFA) de 2005.

Isto significa que, segundo os métodos convencionais de medição, existem no mundo 774 milhões de adultos - 20% da população - que não sabem ler, escrever nem calcular corretamente.

Mas a "impressão" dos autores do relatório de 2008 de acompanhamento da EFA é que "os números reais são mais altos".

"O número de analfabetos que levantamos vêm das pesquisas com famílias, e muitas vezes essa não é uma boa avaliação porque muitas pessoas mentem e dizem que sabem ler e escrever - embora não seja verdade - por vergonha", declarou à Efe Paula Razquin, uma dos vinte pesquisadores que integram a equipe do relatório de acompanhamento da EFA.

A alfabetização dos adultos é uma das metas para 2015 definidas há sete anos em Dacar pelos participantes do Fórum Mundial sobre a Educação. Entre os objetivos pretendidos estão a universalização do ensino primário, a igualdade entre os sexos e a qualidade da educação.

Todos esses objetivos, exceto o da universalização do ensino primário, que também está incluído na agenda do Milênio, estão sendo "deixados de lado", segundo Razquin.

"É um direito dos adultos ter acesso à ferramenta da leitura e da escrita para progredir no mundo e no mercado de trabalho", ressaltou.

A pesquisadora da Unesco defendeu, além disso, um maior cuidado no atendimento e na educação para a primeira infância.

"Esse é um objetivo primordial da agenda do Milênio que não é muito destacado porque coloca muita ênfase no ensino primário, mas o que queremos dizer é que universalizar o atendimento para a primeira infância implica não só dar acesso a pré-escolas, mas expandir para questões de nutrição da criança - o que repercute no desenvolvimento educativo", explicou.

"Conseguiremos alcançar a meta de levar educação para todos em 2015?", questionam os autores no título de seu trabalho.

"Somos pessimistas", respondeu abertamente Razquin, e explicou que "para que todas as crianças comecem e terminem o primário até 2015, elas já deveriam estar na escola e sabemos que isso não acontece".

Além disso, para atingir o objetivo da universalização do ensino primário nessa data seriam necessários 18 milhões de professores suplementares.

Razquin acrescentou, no entanto, que o progresso registrado na escolarização em relação à década anterior comprova que se está indo "por um bom caminho".

Entre 1999 e 2005, o número de crianças sem escolaridade foi reduzido em 24 milhões e passou a ser de 72 milhões, a maior parte de africanos.

Essa redução coincidiu com as metas estabelecidas no Fórum de Dacar em 2000.

Chegou a ser aberto um debate sobre a eficácia de se estabelecer metas. Razquin e seus colegas pensam que é positivo traçá-las, já que a partir delas, "países acabariam com o pagamento da matrícula primária, e isso ajudou em alguns lugares a melhorar suas taxas de escolarização".

Essas medidas são frutos da vontade política, por isso Razquin mantém "certa esperança" de que, com o apoio de organizações internacionais, continuem colhendo bons resultados, embora enfatize que "o progresso é lento".

"É um paradoxo: vamos progredindo, mas fica muito por fazer", ressaltou, resignada. EFE cat/bf/fb

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