Um calabouço subterrâneo, sem janelas, cheio de ratos e cenário de incesto

Durante 24 anos, Elisabeth Fritzl viveu presa e teve sete filhos em um calabouço sórdido, sem janelas e de teto baixo, mantida em cativeiro pelo próprio pai no porão de casa, número 40 Ybbsstrasse de Amstetten, onde os ratos infestavam o local.

AFP |

Quando Elisabeth foi sequestrada em agosto de 1984, o reduto tinha 20 m2, um lavabo, um banheiro e uma cozinha.

À medida que as crianças fruto do incesto foram nascendo, Josef Fritzl, um ex-engenheiro eletrônico que começará a ser julgado em 16 de março em Sankt-Pölten, perto de Viena, foi ganhando cômodos até chegar a quase 40 m2.

O local passou a ter uma chuveiro, dois dormitórios e uma sala de estar, todas interligadas e comunicadas por galerias de 60 cm de largura.

Nenhuma janela, nenhum sistema de ventilação, paredes com umidade, a presença de ratos, que Elisabeth caçava com as próprias mãos, como contou em fragmentos de diários íntimos escritos durante seu cativeiro e publicados pelo jornal Kurier.

No verão, a temperatura sob o teto, de apenas 1,70 metro de altura, era insuportável. Fora do porão, três filhos-netos de Josef Fritzl, que todos acreditavam ter sido adotados, brincavam na piscina, enquanto os irmãos subterrâneos ardiam em um espaço fechado no qual a única distração era a televisão.

Para eliminar da mente dos reféns qualquer tentativa de fuga, Fritzl instalou oito portas, três delas equipadas com dispositivos eletrônicos de fechamento com combinações que somente ele conhecia. Além disso, havia ameaçado atacar Elizabeth e os filhos com gases caso tentassem escapar.

À noite, ele levava comida e roupa para a segunda família. Ele vetou totalmente o acesso ao porão aos amigos e aos demais inquilinos do edifício. Ele explicava as visitas noturnas ao local com os serviços de bricolagem que fazia.

Quando estava de férias, deixava reservas de comida para as vítimas.

Os anos passados em condições tão horríveis afetaram gravemente a saúde das vítimas. E isto provocou indiretamente a libertação: graças à internação da filha-neta mais velha, de 19 anos, em 26 de abril de 2008, a tragédia foi descoberta.

lad/fp

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