Um ano depois, México estima prejuízo de até US$ 4 bi com gripe suína

O governo do México calcula que o país tenha tido um prejuízo de até US$ 4 bilhões em decorrência da gripe suína, um ano depois do início da epidemia da doença. O México foi o primeiro país a informar a existência do vírus causador da gripe, o H1N1, um anúncio que colocou em alerta governos e população no resto do mundo.

BBC Brasil |

E, com este anúncio, o México declarou também emergência nacional, a primeira na história recente do país.

Desde então a gripe já causou a morte de 1,2 mil pessoas apenas no México. O contágio comprovado naquele país atingiu 74 mil pessoas, de acordo com dados oficiais.

O governo tomou medidas para tentar conter a doença suspendendo atividades públicas e aulas em todo o país e fechando o comércio nas principais cidades. E os locais turísticos ficaram vazios em todo o país.

Máscaras
Passado um ano, várias autoridades hoje reconhecem que algumas medidas adotadas na época do surto foram erradas.

Uma delas, segundo disse à BBC o secretário de Saúde do governo do Distrito Federal na Cidade do México, Armando Ahued, foi "promover o uso de máscaras para evitar o contágio".

Uma das famílias atingidas foi a família Zaragoza Reyes, que, no início de maio de 2009, recebeu a ordem de queimar cobertores, utensílios de cozinha, roupas e comidas, pois as autoridades sanitárias afirmaram que estes objetos estavam infectados pelo vírus H1N1.

Durante 40 dias, os 36 integrantes da família, permaneceram dentro de suas casas na Cidade do México. Sobreviveram com alimentos que os vizinhos deixavam na porta da casa.

Dois dos membros da família, Viviana, de 23 anos, e Pedro, de 22, morreram devido à doença que começou como uma gripe e ficou muito grave em poucos dias.

"Foi tudo muito rápido, em uma manhã Viviana estava bem, à noite já estava morta", disse à BBC o irmão dela, Mariano Zaragoza.

Mais problemas
As autoridades mexicanas esperavam uma epidemia de doenças respiratórias desde 2005, principalmente depois do avanço dos casos de gripe aviária, como afirmou à BBC Francisco Navarro, diretor do Hospital Geral do México, um dos maiores do país.

Havia um plano de contingência epidemiológica, mas a gripe suína pegou todos de surpresa, pois o H1N1 tinha características que não eram esperadas.

"Havia muita incerteza, eu mesmo não sabia o que estava acontecendo, principalmente ao ver tantos jovens morrendo", afirmou.

Além de hospitais cheios no país todo, também ocorreram dificuldades para abastecer os hospitais públicos com o medicamento antiviral Osealtamivir.

A família Zaragoza Reyes, por exemplo, procurou o remédio durante vários dias pela internet até que finalmente conseguiu encontrar, em Acapulco, a 500 quilômetros da Cidade do México.

Mas, apesar dos problemas, especialistas garantem que o país aprendeu lições com a epidemia.

"Uma lição (que aprendemos) é que, pela primeira vez, devemos discutir estes assuntos em nível global", afirmou à BBC Mario Fuentes, diretor do Centro de Estudos e Investigação em Desenvolvimento e Assistência Social (Ceidas).

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