Saud Abu Ramadán. Gaza, 27 dez (EFE).- Os 1,5 milhão de habitantes da paupérrima Faixa de Gaza lembraram hoje a mais dura ofensiva militar lançada por Israel por terra, mar e ar, que durou 22 dias e que deixou 1.

420 mortos e mais de 5 mil feridos há um ano.

A população de Gaza lembra o ataque sob o mesmo bloqueio imposto por Israel, que a impediu há um ano de encontrar refúgio fora da faixa e que dura mais de três anos.

O estreito cerco freou o crescimento da economia palestina na região, governada pelo movimento radical islâmico Hamas, e impediu a reconstrução de milhares de casas e edifícios públicos destruídos na ofensiva.

O objetivo do ataque, segundo políticos e militares de Israel, era impedir o disparo de foguetes por parte das milícias palestinas da faixa contra solo israelense.

Os analistas também dizem que, com a operação, Israel queria recuperar seu poder de dissuasão frente ao Hamas.

Os dirigentes do movimento islâmico em Gaza insistem em que a guerra, que veem como uma tentativa de destruir a infraestrutura do movimento, não afetou sua popularidade entre os palestinos nem enfraqueceu sua capacidade militar.

O líder do Hamas em Gaza e primeiro-ministro deposto, Ismail Haniyeh, afirmou, em comunicado, que "a Faixa de Gaza continua sendo forte, Israel não conseguiu vencer apesar do enfraquecimento pelo forte bloqueio e as restrições que elevaram o sofrimento entre a população".

O braço armado do grupo, as Brigadas de Ezedin al-Qassam, advertiu na manhã de hoje que será "mais eficaz" em seu próximo enfrentamento com o Estado judeu.

Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, com sede em Gaza, 1.420 palestinos morreram na ofensiva militar israelense, dos quais 60% eram civis, e mais de 5 mil ficaram feridos.

Durante a operação, 13 israelenses morreram, dos quais três eram civis.

No dia 27 de dezembro de 2008 às 11h locais, aviões israelenses realizaram intensos bombardeios contra edifícios de segurança e instalações policiais do Hamas.

Oito dias depois, Israel ampliou sua ofensiva e introduziu forças terrestres que chegaram às principais aldeias e cidades da Faixa de Gaza.

Na incursão, que incluiu bombardeios vindos do mar, foram atingidos centros hospitalares, sedes de organismos internacionais e centenas de prédios residenciais.

Observadores locais descrevem a ofensiva israelense - que terminou no dia 18 de janeiro - como a "mais sangrenta" das últimas quatro décadas do conflito palestino-israelense e afirmam que tanto o Hamas quanto o Estado judeu fracassaram em seus objetivos.

"Israel não alcançou suas metas, porque os milicianos do Hamas seguem atuando e dizem estar preparados para lutar se houver outra ofensiva contra Gaza", afirmou Assad Abu Sharj, analista político da Universidade Al-Azhar de Gaza.

Um relatório elaborado por uma comissão das Nações Unidas liderada pelo juiz sul-africano, Richard Goldstone, mostrou evidências de crimes de guerra perpetrados por Israel e pelo Hamas.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, adotou as recomendações do relatório e pediu a ambas as partes que investiguem as alegações.

O Exército israelense abriu uma investigação interna e negou que tenham sido cometidos crimes de guerra ou que seus soldados tenham matado civis deliberadamente, mas que foram cometidos "erros", como um incidente em que morreram 21 civis de uma mesma família.

No entanto, organizações de direitos humanos acusam Israel de ter usado civis como escudos humanos e de, inclusive, terem utilizado armas proibidas em regiões povoadas.

Segundo relatórios da ONU publicados no fim da ofensiva, 3.530 casas ficaram completamente destruídas, 2.850 severamente danificadas e 52.900 parcialmente, além de edifícios governamentais e de segurança controlados pelo Hamas. EFE Sa'ar-db/pd

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