Grupo de judeus ultraortodoxos se manifestaram no sábado vestindo uniforme utilizado nos campos de concentração nazista

Sobreviventes do Holocausto e líderes políticos expressaram repúdio neste domingo em relação a uma manifestação de judeus ultraortodoxos em Jerusalém, na qual os participantes usaram estrelas de David amarela e uniformes similares àqueles que os nazistas os forçaram a usar durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945).

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Crianças judias ultraortodoxas usam uniforme da época do nazismo durante manifestação em bairro de Jerusalém (31/12)
AP
Crianças judias ultraortodoxas usam uniforme da época do nazismo durante manifestação em bairro de Jerusalém (31/12)

Milhares de ultraortodoxos se reuniram na noite de sábado para protestar contra o que eles classificam como uma campanha nacional contra seu estilo de vida. As práticas desse grupo, que envolvem a segregação sexual, por exemplo, são rejeitadas pela mairoria dos israelenses.

Extremistas ultraortodoxos têm enfrentado críticas por suas tentativas de proibir que homens e mulheres fiquem nos mesmos ônibus , calçadas, entre outros espaços públicos. Em uma cidade, extremistas xingaram e cuspiram em meninas que iam à escola, dizendo que se vestiam de maneira inadequada. Essas atitudes, provenientes de uma pequena parte dos ultra-ortodoxos vem provocando reações contra esse grupo de maneira geral.

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No protesto de sábado, crianças vestiam o uniforme preto e branco, associados aos campos de concentração nazistas. Uma das crianças ergueu as mãos imitando uma redenção - ironizando uma foto icônica de um menino judeu aterrorizado no gueto de Varsóvia.

Seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 200 mil sobreviventes do Holocausto vivem hoje em Israel.

Uma organização de sobreviventes do Holocausto e seus descendentes expressaram "desprezo e vergonha absoluta" pelo uso dos símbolos nazistas. "Nós que sobrevivemos e testemunhamos esses crimes estamos particularmente ofendidos que manifestantes usaram crianças nesse ultraje público. Eles insultaram as memórias de todas as vítimas, incluindo aqueles que eram ultraortodoxos", disse o vice-presidente da organização em comunicado.

O líder da oposião Tzipo Livno chamou a liderança ultra-ortodoxa para condenar o ocorrido. "Essa é uma ofensa terrível contra as vítimas do Holocausto que foram forçadas a usar, tanto os seculares quanto os ultraortodoxos - estrelas amarelas nos guetos à caminho de sua exterminação, e não há manifestação no mundo que possa justificar isso."

Com AP

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