Últimos extremistas foram mortos, diz polícia indiana

O comando militar indiano afirmou que três extremistas entrincheirados no hotel Taj Mahal, de Mumbai, foram mortos neste sábado. Segundo a polícia, o controle do local foi retomado. Todas as operações acabaram, todos os terroristas foram mortos, disse o oficial Hassan Gafoor.

Redação com agências internacionais |

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J.K. Dutt, diretor da Guarda Nacional da Índia, afirmou à imprensa que as forças armadas continuam vasculhando o hotel quarto a quarto. Na manhã de sábado (madrugada no Brasil), militares e extremistas islâmicos trocaram tiros no interior do hotel. Em meio aos disparos, uma grossa coluna de fumaça foi vista saindo do primeiro andar do prédio.

Segundo informação anterior do comando militar indiano, o Taj Mahal era a última área de Mumbai controlada por terroristas, três dias após o início da série de atentados contra a capital financeira da Índia, que já deixou ao menos 195 mortos e mais de 300 feridos.

Centro judaico e hotel Oberoi

Nesta sexta-feira, forças de segurança invadiram um centro judaico na cidade onde extremistas também mantinham prisioneiros. Cinco reféns foram encontrados mortos dentro do Centro Nariman, entre eles o do rabino que dirigia o local, Gavriel Noach Holzberg, e sua mulher.

Mais cedo, imagens da televisão indiana mostraram soldados descendo por meio de cordas de um helicóptero que sobrevoava o local e outros se aproximando por terra do escritório do centro.

Reuters
Militares indianos observam explosão no centro Nariman
Militares indianos observam explosão no centro Nariman


Segundo o correspondente da BBC David Loyn, os soldados inicialmente atiraram bombas de fumaça para confundir os extremistas.

Horas antes, uma mulher e uma criança saíram do local, mas ainda não está claro se elas foram libertadas pelos militantes ou se conseguiram escapar. A criança foi identificada como o filho de dois anos de idade do rabino.

Também nesta sexta-feira, as forças indianas anunciaram ter tomado o controle do hotel Oberoi Trident, onde até o dia anterior os extremistas ainda mantinham reféns.

O chefe de segurança do país, J.K. Ditt., disse que forças especiais invadiram o hotel e mataram dois militantes. A polícia encontrou 24 corpos no hotel, pouco depois de libertar 93 pessoas lá detidas, entre hóspedes e funcionários.

Vítimas

De acordo com R.R. Patil, membro do gabinete de governo do Estado de Maharashtra, onde fica Mumbai, menos nove extremistas, 15 policiais e dois membros da força de elite indiana. Pelo menos nove suspeitos de envolvimento nos ataques teriam sido presos.

Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas reféns nos hotéis, segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto.

"Entramos em contato com as administrações dos dois hotéis e eles afirmaram que não havia nenhum brasileiro registrado lá no dia dos ataques. Também não recebemos notícias de que brasileiros possam estar entre as vítimas ou reféns", disse Chapot à BBC Brasil.

Conexão islâmica

Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano. O analista da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques.

Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Mujahideen do Deccan, reivindicou a autoria dos ataques.

Getty Images
Quarto totalmente destruído no hotel Taj Mahal
Quarto totalmente destruído no hotel Taj Mahal



Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque.

Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos, mas extremistas hindus também foram presos.

Paquistão

O governo paquistanês decidiu nesta sexta-feira enviar a Mumbai o chefe do serviço de inteligência do país para ajudar nas investigações sobre os atentados, em meio à suspeita na Índia de que os agressores tenham ligação com o Paquistão.

A Marinha indiana estaria realizando buscas em navios da costa oeste do país, pois acredita-se que os autores dos ataques chegaram a Mumbai por barco. Dois barcos paquistaneses teriam sido apreendidos e a tripulação, interrogada.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu adotar "quaisquer medidas que sejam necessárias" para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai.

O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são "de fora do país" e foram à Índia "com a determinação de criar caos na capital comercial do país".

Ele também alertou que a Índia não irá tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.

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