Último político refém das Farc é libertado na Colômbia

O ex-deputado colombiano Sigifredo López, sequestrado havia mais de seis anos, foi libertado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nesta quinta-feira e entregue a uma missão humanitária que contou com o apoio do Brasil. A missão foi composta pela senadora colombiana Piedad Cordoba, principal mediadora com a guerrilha, dois membros da Cruz Vermelha, além de militares brasileiros que prestaram apoio logístico.

BBC Brasil |

A libertação do ex-parlamentar foi confirmada pelo porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Yves Heller, que agradeceu aos governos do Brasil e da Colômbia, às FARC e ao movimento Colombianos pela Paz pelo resgate.

Heller afirmou que o CICV "continuará trabalhando para levar proteção e assistência" às vítimas do conflito armado colombiano.

A missão de resgate, a bordo do helicóptero brasileiro que foi cedido à operação, já regressou ao aeroporto de Cali, capital do departamento (Estado) de Valle del Cauca, onde López foi recebido pelos familiares.

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, o Itamaraty afirma que "o governo brasileiro congratula-se com o governo colombiano e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha pelas ações que possibilitaram o êxito da missão humanitária".

"O governo brasileiro manifesta a expectativa de que essa iniciativa bem-sucedida dê ensejo à libertação de todos os sequestrados que permanecem ainda distantes de seus familiares, e possibilite novas perspectivas para o processo de paz e reconciliação de todos os colombianos", acrescenta o texto.

O Itamaraty diz ainda que o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, telefonou ao ministro Celso Amorim para agradecer a ajuda prestada pelo Brasil nas operações de libertação dos reféns.

Sigifredo López, de 45 anos, foi sequestrado em 2002 junto com outros 11 parlamentares em uma operação em que as Farc se fizeram passar por policiais. López é o único sobrevivente do grupo. Os demais foram mortos em 2007, durante um enfrentamento entre "um grupo armado não identificado" e a guerrilha.

Na ocasião, as Farc emitiram um comunicado afirmando que os deputados haviam sido atingidos durante o tiroteio entre os dois grupos. De acordo com as Farc, López teria sobrevivido porque não estaria junto aos demais parlamentares durante o confronto.

O governo colombiano, no entanto, responsabiliza as Farc pelos assassinatos.

Com sua libertação, espera-se que López possa esclarecer as condições em que seus companheiros foram mortos.

López é o ultimo político do grupo de reféns que as Farc consideravam passíveis de troca por guerrilheiros presos em um possível acordo com o governo, cujo diálogo não tem avançado.

Com a libertação do ex-parlamentar, completa-se o resgate dos seis reféns que as Farc prometeram libertar, unilateral e incondicionalmente, a partir de meses de negociações com o movimento Colombianos pela Paz, organização em que atua a senadora Córdoba.

Ainda restam 22 oficiais - entre soldados e policiais - no grupo de "prisioneiros políticos" da guerrilha.

A senadora Córdoba afirmou que enviará uma mensagem a um dos chefes do comando central da guerrilha pedindo a libertação de todos os sequestrados.

Na terça-feira, o ex-governador Alan Jara acusou o presidente Álvaro Uribe de "não fazer nada para libertar os reféns".

Em resposta, Uribe advertiu que não se deixará "enganar" e reiterou sua política de resgate militar, estratégia combatida pelos familiares dos reféns, já que esse tipo de operação colocaria em risco a vida dos sequestrados.

"Nossa responsabilidade política é a de não deixar este país ser enganado pelas Farc", disse Uribe.

Segundo analistas, com as libertações unilaterais, as Farc pretendem abrir novos espaços de diálogo político em meio a um processo de enfraquecimento militar do grupo.

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