Por C. Bryson Hull e Ranga Sirilal COLOMBO (Reuters) - O Sri Lanka divulgou pela primeira vez o grande número de mortes da última fase da guerra no país que durou 25 anos. Na sexta-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, viajou para a ilha a fim de pressionar por um rápido final da crise humanitária.

Autoridades afirmaram que mais de 6 mil soldados morreram e quase 30 mil ficaram feridos desde um combate em julho de 2006, considerada pelos militares o início da "Guerra de Eelam IV", o estágio final da guerra contra os Tigres de Libertação do Tâmil Eelam (LTTE).

Na capital Colombo, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas na sexta-feira até a região do Parlamento numa passeada convocada para homenagear os soldados.

O presidente Mahinda Rajapaksa, falando à multidão, minimizou os pedidos do Ocidente para uma investigação sobre crimes de guerra por atos cometidos por ambos os lados nos meses finais da guerra.

"Desde (a batalha de julho de 2006 em) Mavil Aru, 6.261 soldados renunciaram a suas vidas pelo status unitário da terra natal e 29.551 ficaram feridos", disse o secretário de Defesa, Gotabaya Rajapaksa, à rede de TV estatal Independent Television Network.

Os soldados mataram 22 mil combatentes do LTTE durante a Guerra de Eelam IV, disse o porta-voz militar e general-de-brigada Udaya Nanayakkara.

O Sri Lanka declarou vitória total sobre o LTTE na segunda-feira, após matar seus líderes e combatentes remanescentes numa batalha final no nordeste da ilha.

Quase 300 mil civis tâmeis que seguiram ou foram dominados pelos Tigres à medida que os militares os perseguiam estão agora em campos de refugiados apinhados após fugirem nos meses finais do que era a guerra moderna de maior duração da Ásia.

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU que deveria chegar ao Sri Lanka no final da sexta-feira, pedirá que o governo permita que agências de ajuda humanitária tenham acesso total aos campos e pressionará por uma solução política, disseram autoridades da ONU.

O LTTE lutou para criar um país separado chamado por eles de Eelam - a palavra tâmil para terra natal - no norte e no leste do Sri Lanka.

Nesta semana, a ONU disse que o conflito matou entre 80 mil e 100 mil pessoas desde que adquiriu status de guerra civil em 1983 - incluindo números não oficiais e não confirmados apontando a morte de 7 mil civis desde janeiro.

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