Ultimato de Zelaya põe crise política hondurenha em nova etapa

Tegucigalpa, 14 jul (EFE).- A crise de Honduras entrou em um novo capítulo com o ultimato do deposto Manuel Zelaya ao Governo Roberto Micheletti para que o reemposse, o que foi recebido hoje com elogios de seus seguidores, críticas dos opositores e chamadas à prudência.

EFE |

O ultimato lançado ontem à noite por Zelaya em Manágua foi elogiado hoje pelos simpatizantes do líder deposto, em uma nova manifestação em Tegucigalpa que contou com a participação de sua mulher, Xiomara Castro.

Vilma Morales, ex-presidente da Suprema Corte e membro da delegação de Micheletti que participa do diálogo na Costa Rica, declarou hoje à Agência Efe que dar um ultimato "não é muito afortunado" da parte de Zelaya.

"Isso não contribui para que flua com maior tranquilidade um processo de diálogo que deve acontecer com muita dose de tolerância e prudência", ressaltou Vilma, que também comentou que "seria lamentável" que a crise vivida no país "não tivesse uma boa saída".

Já a mulher de Zelaya acusou alguns membros do governante Partido Liberal, do opositor Partido Nacional e militares de serem responsáveis pelo golpe de Estado contra seu marido, em 28 de junho passado, quando foi substituído por Micheletti.

"Infelizmente nisso há liberais que se prestaram a fazer esse jogo, que serviram de títeres para que pudessem fazer as coisas que estão fazendo", afirmou.

Aparentemente impressionada, Xiomara questionou: "Como é possível que os liberais, que sempre falam de Justiça, falam de paz, agora sejam (...) os que se prestam a opressão, mortes e a fazer todas as coisas que estão acontecendo hoje?".

Paralelamente, em Washington o Governo dos Estados Unidos recomendava a Zelaya que tivesse paciência e desse uma oportunidade ao diálogo com Micheletti, que tem mediação do presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

"Todas as partes nas conversas devem dar um tempo a esse processo. Não fixem nenhum prazo artificial. Não digam que se tal exigência não acontecer em uma certa data então o diálogo terá morrido", declarou Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, em coletiva de imprensa.

Carlos Reyes, que busca a Presidência de Honduras com um movimento independente para as eleições de 29 de novembro próximo, disse à imprensa que as reuniões na Costa Rica com a participação de Arias "são uma distração" e "uma perda de tempo".

Para Reyes, que exige a restituição de Zelaya no poder, "deveriam dar por encerrada essa mal chamada mediação" de Arias com as comissões designadas por Micheletti e o presidente deposto para buscar uma solução para a crise.

Para o candidato à Presidência pelo Partido Nacional, Porfirio Lobo, "qualquer saída forçada" à situação vivida em Honduras "vai desencadear a perda de mais vidas humanas".

No último dia 5, duas pessoas que participavam de uma grande manifestação a favor de Zelaya morreram baleadas diante do aeroporto de Tegucigalpa quando o líder deposto tentava chegar ao país para retomar o poder.

Lobo afirmou que os hondurenhos têm a capacidade de resolver seus problemas com ajudas internacionais, "mas que motivem a paz, como está fazendo o presidente Arias".

"O diálogo todo torna isso possível, é preciso ter muitíssima prudência", afirmou Lobo.

Um dia depois de Zelaya dar o ultimato a Micheletti, Arias anunciou ter convocado para o próximo sábado ambas as delegações para continuar na busca de uma solução pacífica para o conflito. EFE gr/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG