Últimas tropas dos EUA deixam o Iraque

Comboio de 100 blindados com 500 soldados parte quase 9 anos após invasão que destituiu Saddam e 13 dias antes de prazo final da retirada

iG São Paulo |

O último comboio de soldados dos EUA a deixar o Iraque entrou no Kuwait, quase nove anos depois da invasão que destituiu Saddam Hussein e 13 dias antes de expirar o prazo para a retirada total das tropas do país árabe, em 31 de dezembro. A coluna final de cerca de 100 veículos blindados com 500 soldados cruzou o deserto no sul do Iraque durante a madrugada deste domingo.

AP
Soldados dos EUA da 1ª Divisão de Cavalaria, os últimos a deixar o Iraque, chegam a Camp Virginia, Kuwait
A televisão mostrou imagens da última coluna de veículos militares americanos que cruzava a fronteira entre Iraque e Kuwait. Durante os últimos dias, o Exército americano entregou os últimos prisioneiros que tinha em suas mãos às autoridades iraquianas, que na sexta-feira assumiram o controle da última base militar que permanecia em poder dos EUA .

No dia 15, encenou-se a retirada americana de maneira simbólica com o recolhimento da bandeira em cerimônia em Bagdá , da qual participou o secretário de Defesa deste país, Leon Panetta. Com o pacto de segurança assinado entre Washington e Bagdá há três anos, ambos os países acertaram a retirada para o final deste ano.

No pico da operação no país, houve 170 mil soldados e mais de 500 bases americanas no Iraque. Quase 4,5 mil militares dos EUA e estimados 100 mil iraquianos morreram desde que a campanha liderada pelos EUA começou em 20 de março de 2003. A operação custou a Washington quase US$ 1 trilhão.

Tropas dos EUA treinaram as forças de segurança iraquianas que tentarão conter a situação interna de segurança, ainda em um nível de violência que deixa uma média de 350 mortos a cada mês. Mas a segurança tem de fincar raízes na estabilidade política, e essa é apenas um dos muitos desafios que o Iraque enfrenta imediatamente.

Enquanto os soldados americanos dirigiam-se à fronteira, uma crise política começava em Bagdá, com deputados do bloco Iraqiyya, de Ayyad Allawi, renunciando ao Parlamento. Há tumulto em duas províncias majoritariamente sunitas, que querem se autodeclarar regiões autônomas como os curdos no norte. Também há a convicção disseminada de que, com a saída americana, a influência do Irã se espalhará pelo país.

Enquanto muitos iraquianos acreditavam que já havia passado do tempo de os americanos saírem, muitos estão profundamente preocupados com os desafios futuros. As forças dos EUA puseram fim às missões de combate em 2010 , e já transferiram boa parte do papel de segurança.

Os únicos militares americanos que continuam no Iraque são 157 soldados responsáveis pelo treinamento na embaixada americana, assim como um pequeno contingente de marines (fuzileiros navais) protegendo a missão diplomática.

O presidente dos EUA, Barack Obama, marcou o fim da guerra no início desta semana em encontro com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki . Ele anunciou em outubro que todos os soldados sairiam do país até o fim de 2011 , uma data previamente acordada pelo ex-presidente George W. Bush em 2008.

Em um discurso recente na base de Fort Bragg , na Carolina do Norte, Obama prestou tributo aos soldados que serviram no Iraque. Ele reconheceu que a guerra foi controversa, mas disse aos militares que retornam aos EUA que deixavam atrás "um Iraque soberano e estável". 

Mas há preocupações em Washington de que falte ao Iraque estruturas políticas robustas ou a habilidade para defender suas fronteiras. Há também temores de que o país possa mergulhar em um banho de sangue sectário ou ser influenciado pelo Irã.

Washington queria manter uma pequena presença de treinamento e contraterrorismo no Iraque, mas autoridades americanas não foram capazes de alcançar um acordo com Bagdá sobre as questões legais, incluindo a imunidade das tropas .

*Com BBC e EFE

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