Ulemás do Marrocos rejeitam que Islamismo legitime casamentos com crianças

Rabat, 21 set (EFE) - O Conselho Superior de Ulemás (altos cargos do Islã) do Marrocos denunciou hoje o uso da religião para legitimar o casamento com meninas de nove anos, por causa da fatwa (decreto) divulgada por um ativista fundamentalista, Mohammed al-Maghraoui, em seu site.

EFE |

Em comunicado, o conselho qualifica Maghraoui de "pessoa conhecida por suas tendências à subversão e ao amálgama em sua interpretação dos princípios da comunidade muçulmana".

"As referências citadas por Maghraoui, com relação ao casamento do profeta Maomé com sua mulher Aicha, que tinha nove anos, jamais foram tomadas na história do Islã como exemplo", indicou o conselho.

Segundo os ulemás, "este casamento com Aicha faz parte das particularidades da vida do profeta".

"O sistema jurídico, em vigor no Marrocos, a respeito da idade legal do casamento, é regulado por uma lei aprovada pela nação e foi concebida e elaborada com a participação dos ulemás", concluiu o comunicado.

Em sua reforma da Mudawana (lei de família), só maiores de 18 anos podem se casar legalmente no Marrocos.

Para autorizar a possibilidade de contrair matrimônio com uma menina, Maghraoui deu como referência o profeta Maomé, que se casou com sua esposa Aicha quando ela tinha nove anos.

Vários veículos de comunicação criticaram esta fatwa e um advogado apresentou uma queixa à Justiça contra Maghraoui por incitação à pedofilia. EFE hm/db

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